Pesquisar este blog

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Instabilidade de coluna vertebral


A coluna vertebral é um “empilhamento” de vértebras intercaladas por discos fibrosos, que tem a função de sustentação do corpo em posição ereta.

É muito grande a carga que suportam as articulações vertebrais, sobretudo as mais baixas, da região lombar.

Todo esse complexo arranjo é mantido estável pelos elementos anatômicos que rodeiam e constituem a coluna vertebral: músculos, tendões, ligamentos e discos de articulação e amortecimento.

A alteração de qualquer um desses elementos gera uma instabilidade que resulta em sintomas. O conceito de instabilidade da coluna vertebral foi apresentado primeiramente por Barr em 1951.

A instabilidade da coluna vertebral ocorre igualmente em ambos os sexos, geralmente na terceira ou quarta década de vida e frequentemente envolve alterações degenerativas no disco vertebral L4 ou L5 (nesse último, menos comumente), devido à idade. A instabilidade também pode dever-se à espondilolistese (escorregamento de uma vértebra sobre outra imediatamente abaixo) ou a qualquer outra doença ou condição médica que afete as vértebras.

A instabilidade da coluna vertebral pode levar ao surgimento de dores lombares, em resposta a uma frouxidão ligamentar e/ou dos músculos paravertebrais. Geralmente a coluna “estala” constantemente com pequenos movimentos.

A dor, que é entorpecida, profunda, constante e limitante, afeta mais a região média da coluna, podendo irradiar-se para as nádegas ou membros inferiores, piorando com a manutenção de uma mesma postura por um longo intervalo de tempo. Quase sempre se inicia com um desconforto na região instável da coluna e, com o passar do tempo, a coluna se torna sensível aos movimentos e a dor piora quando a pessoa permanece por muito tempo em uma mesma posição.

A instabilidade da coluna pode ser diagnosticada pelos sinais clínicos e por radiografias. Um exame mais acurado das causas pode ser obtido por tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

O tratamento da instabilidade da coluna deve visar estabilização vertebral com treinamento específico da musculatura estabilizadora, por meio de musculação e Pilates. Estes devem ser devidamente orientados por um fisioterapeuta. Isso é importante na prevenção e tratamento de dores lombares.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Idade precoce da menarca pode levar à depressão e comportamento antissocial na vida adulta


O presente estudo, publicado pelo periódico Pediatrics, relata que as taxas elevadas de depressão e comportamento antissocial de meninas que apresentaram menarca precoce persistiram ainda mais na idade adulta do que o que foi documentado em pesquisas anteriores. Os pediatras devem estar em sintonia com os riscos para a saúde mental associados à puberdade precoce e ser sensíveis à duração dos seus efeitos.

O momento de início da puberdade em meninas é um dos antecedentes mais replicados de uma série de problemas de saúde mental durante a adolescência, mas poucos pesquisadores examinaram a duração desses efeitos.

Jane Mendle e outros colaboradres do Department of Human Development, da Cornell University, alavancaram uma amostra representativa de mulheres (n=7.802) acompanhadas prospectivamente da adolescência até um período de 14 anos, para examinar as associações da idade da menarca com sintomas depressivos e comportamentos antissociais na idade adulta.

As idades mais precoces da menarca foram associadas a taxas mais elevadas de sintomas depressivos e comportamentos antissociais na idade adulta precoce, em grande parte porque as dificuldades que começaram na adolescência não se atenuaram ao longo do tempo.

Essas descobertas indicam que as sequelas emocionais da puberdade se estendem além do documentado em pesquisas anteriores e sugerem que o desenvolvimento precoce pode colocar as meninas em um caminho de vida a partir do qual pode ser difícil se desviar.

A Academia Americana de Pediatria já fornece diretrizes para identificar e trabalhar com pacientes com cronograma puberal precoce. Os pediatras e os prestadores de cuidados de saúde para adolescentes também devem estar atentos ao risco elevado de doenças mentais nas jovens que amadureceram precocemente e que são mais sensíveis à duração potencial das mudanças na saúde mental que começam na puberdade.

Estenose de JUP ou Junção Ureteropélvica


A estenose de JUP é o estreitamento que ocorre na junção entre a pelve renal e os ureteres (Junção UreteroPélvica), o que impede o fluxo normal da urina, acumulando urina diretamente na pelve renal e podendo levar à hidronefrose.

A estenose de JUP na maioria dos casos é congênita, podendo também ser adquirida secundariamente a cálculos renais ou a cirurgias prévias. A estenose de JUP congênita pode dever-se à presença de vasos sanguíneos anômalos que comprimem o ureter, a alterações da musculatura do próprio ureter ou a malformações renais.

A urina filtrada pelo rim é coletada em cálices que se juntam para formar uma estrutura maior, conhecida como pelve renal, que tem uma forma assemelhada a um funil. Dela partem os ureteres, que conduzem a urina em direção à bexiga. A transição da pelve para o ureter é denominada junção ureteropélvica ou JUP, como é mais conhecida.

A estenose (estreitamento) dessa junção leva a uma obstrução do fluxo urinário nesta área, o que acarreta impedimento da saída da urina para fora do rim. Acumulando-se no rim, a urina acaba dilatando o órgão, prejudicando sua função e podendo levar à perda total do funcionamento renal.

A estenose de JUP geralmente está presente desde o nascimento, mas a forma adquirida pode ocorrer em qualquer idade. Dependendo de sua intensidade, pode não dar sintomas e só ser detectada em exames realizados de rotina ou por outros motivos.

A forma congênita, embora presente desde o nascimento, pode só vir a apresentar sintomas mais tarde na vida. Quando causa sintomas, os mais comuns são: dores lombares, presença de sangue na urina, hipertensão arterial e infecções urinárias ou renais recorrentes. Pode haver também a formação de cálculos renais.

A estenose de JUP pode ser diagnosticada no feto por meio da ultrassonografia pré-natal que detecta uma dilatação anormal dos rins. Mais tarde, ela pode ser diagnosticada por meio do uso de ultrassonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética ou cintilografia.

Para examinar o estado do funcionamento renal, bem como para ajudar a descartar outras condições mórbidas semelhantes, podem ser necessários também exames laboratoriais de sangue e de urina. Em adultos, deve-se excluir outras causas comuns de hidronefrose (dilatação dos rins): cálculos, tumores, fibrose retroperitoneal, endometriose ou outras doenças inflamatórias.

O tratamento da estenose de JUP depende de como esteja a anatomia do rim e seu funcionamento no momento do diagnóstico e pode variar desde um mero acompanhamento clínico até cirurgia de pieloplastia (reconstrução da pelve renal) ou pielotomia (remoção da pelve renal).

O objetivo do tratamento é aliviar os sintomas e preservar a função renal. Em fetos ou em bebês recém-nascidos, o tratamento deve ser de acompanhamento cuidadoso por um nefrologista pediátrico.

A estenose de JUP pode resultar em infeções urinárias, cálculos renais, hidronefrose e insuficiência ou falência renal.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Cocaína


O uso da cocaína causa intensa e rápida euforia, seguida por uma igualmente intensa depressão e um estado de grande tensão e avidez por mais cocaína. Ela produz um efeito estimulante e de prazer muito mais potente que o das anfetaminas.

Quando a droga acaba no organismo, o que acontece rapidamente, o prazer cessa e o indivíduo é tentado a repetir a experiência. Daí a forte tendência a consumi-la reiteradamente. Nisso consiste a dependência à cocaína, que pode ser tomada por via oral, inalada sob forma de pó ou injetada diretamente na veia. Sob a forma de crack também pode ser fumada.

O prazer é a maior força motriz de muitos de nossos comportamentos e consumir cocaína é uma das formas fáceis de obtê-lo. Daí a tendência a consumi-la. Conforme a tolerância à droga vai aumentando, torna-se necessário usar cada vez quantidades maiores dela para conseguir a mesma resposta eufórica.

Suprimir ou reduzir a droga causa uma depressão tão severa que a pessoa é capaz de quase tudo (inclusive ilícito ou criminal) para obter a droga, podendo até mesmo cometer suicídio, se isso não for possível, em razão da depressão avassaladora que sobrevém.

O sistema de recompensa do cérebro, um enorme número de feixe de fibras e conexões nervosas que produz uma enorme sensação de prazer, é ativado pela cocaína. É por esta razão que o indivíduo é tentado a voltar a consumi-la, tornando-se, assim, dependente da cocaína.

As pessoas dependentes de cocaína geralmente têm problemas de sono e de apetite; têm uma elevação da frequência cardíaca e respiratória, da pressão arterial e da temperatura corporal; espasmos musculares; vasoconstrição periférica; euforia; depressão e ânsia intensa pela droga. Tomada por um longo prazo, o vício da cocaína pode causar, entre outros, danos irreversíveis aos vasos sanguíneos coronarianos e cerebrais; danos no fígado, rins e pulmões; destruição dos tecidos nasais e às vezes, perfuração do septo nasal, se inalada; doenças infecciosas e abscessos, se injetada; alucinações auditivas e táteis; disfunções sexuais e infertilidade.

As grávidas dependentes estão mais sujeitas a sofrer aborto do que as não dependentes e o feto pode ser prejudicado, porque a cocaína passa do organismo da mãe para o do filho. De um modo geral, as pessoas que se tornam viciadas em cocaína perdem o interesse nas outras áreas da vida.

O diagnóstico da dependência à cocaína geralmente é feito a partir da história de consumo da droga e pela detecção de alguns sinais e sintomas, dentre os quais sobrelevam em importância a hiperatividade, as pupilas dilatadas, aumento da frequência cardíaca, ansiedade, comportamento errático, grandioso e hipersexual.

A cocaína pode ser dosada no sangue e detectada nas vísceras.

O tempo de ação da cocaína é muito curto, pelo que seus efeitos são passageiros, mas dado ao perigo de morte, pode ser necessário administrar-se medicamentos para baixar a pressão arterial, diminuir a frequência cardíaca, evitar as convulsões e tratar a febre alta que costuma acompanhar o quadro clínico. A abstinência da cocaína requer supervisão médica porque a pessoa pode tornar-se depressiva e mesmo suicida.

Para conseguir um real afastamento da droga pode ser necessária a internação num hospital ou num centro de tratamento de toxicómanos, onde os sintomas devem ser tratados sintomática ou mesmo preventivamente. O acompanhamento posterior deve ser feito com psicoterapia ou participação em grupo de autoajuda.

A cocaína aumenta o risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, convulsões ou falha respiratória, podendo qualquer um destes eventos causar morte súbita.

Doses elevadas de cocaína, acima de 1.200 gramas, mesmo que tomadas uma única vez, podem causar convulsões, derrames vasculares cerebrais e morte repentina.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Psicoses


Psicose não é uma doença específica, mas um conjunto de enfermidades reconhecidas pela psiquiatria, pela psicologia clínica e pela psicanálise como um estado psíquico no qual se verifica uma "perda de contato com a realidade", traduzido por alucinações e delírios nos períodos de crises mais intensas.

Afora isso, o estado psíquico inclui também pensamento desorganizado e/ou paranoide, acentuada inquietude psicomotora, sensações de angústia intensa, insônia severa e comportamentos bizarros. Também é frequente uma falta de "crítica" ou de "insight", que se traduz numa incapacidade de reconhecer o caráter estranho do próprio comportamento. Desta forma surgem, nos momentos de crise, dificuldades de interação social e em cumprir normalmente as atividades comuns da vida diária.

Quando a pessoa apresenta este problema de forma aguda, dizemos que ela está tendo um surto psicótico, do qual pode se recuperar parcialmente, em geral restando algum “defeito” psíquico residual, variável para cada pessoa. Se uma pessoa ficar com a doença pelo resto da vida, dizemos que sofre de psicose crônica.

As causas das psicoses são motivo de muita discussão e controvérsia dentro da comunidade científica. Acredita-se que fatores sociais como abuso de drogas e isolamento social possam estar direta ou indiretamente associados às psicoses. O desenvolvimento do quadro psicótico parece depender da interação desses fatores sociais com fatores biológicos (hereditariedade e danos físicos ao cérebro, por exemplo) e psicológicos (experiências dramáticas extremas e traumas psíquicos, por exemplo).

Os sintomas psicóticos podem ocorrer em diversos estados psicológicos excepcionais ou mórbidos, tais como transtorno bipolar, depressão grave, demências, estresse psicológico severo, privação do sono, epilepsia, esquizofrenia, abstinência de álcool, infecções e cânceres do sistema nervoso central, lúpus eritematoso, insuficiência renal e/ou hepática, tumores cerebrais, acidente vascular cerebral, AIDS e sífilis.

O abuso de substâncias como o álcool e alguns tipos de drogas, principalmente as do tipo estimulantes, é um dos principais fatores de risco para o surgimento da psicose.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Maconha


A maconha (Cannabis sativa) é uma planta própria de climas quentes e úmidos, originária da África, embora exista registro dela na índia, 7.000 AC. Um pé de maconha possui folhas verdes serrilhadas e pequenas flores amarelas sem perfume e pode atingir até cinco metros de altura. As primeiras notícias dessa erva no Brasil datam do século XVIII. A planta contém mais de 400 substâncias químicas, das quais 60 se classificam como canabinoides. A principal delas é o tetrahidrocanabinol (THC) e está associado aos efeitos que a maconha produz no cérebro.

Há alguns usuários que apesar de consumirem a droga diariamente não desenvolvem o vício, enquanto outros, usando menos, desenvolvem uma síndrome semelhante à dependência de outras drogas. Não há como saber quem irá desenvolver maior dependência da maconha. Todos usuários estão sujeitos ao vício.

Ela em geral é aspirada sob a forma de fumaça, a partir de cigarros enrolados em papel ou cachimbos preparados pelos usuários.

Ao inalar a fumaça da maconha, o seu princípio ativo, o tetrahidrocanabinol (THC) vai diretamente para os alvéolos e minutos depois cai na corrente sanguínea, chegando até o cérebro, onde causa sentimentos relaxantes agradáveis, sensação de leveza e alteração dos sentidos.

A tendência a repetir esse estado, é que gera a dependência.

Muitos pesquisadores acreditam que os efeitos negativos da maconha são maiores que seus efeitos positivos. Além disso, hoje em dia existem drogas mais modernas e mais ativas para aqueles casos que podem se beneficiar da maconha.

O efeito mais notável da maconha (do seu princípio ativo sob uso médico, diga-se) se verifica sobre o controle da náusea e dos vômitos resultantes da quimioterapia, que podem beneficiar-se dela quando o paciente não responde satisfatoriamente às outras drogas.

Outro efeito significativo e inquestionável é sobre o aumento do apetite de pacientes caquéticos.

É descrito também bons resultados da indicação da maconha sobre a esclerose múltipla, no alívio das dores espasmódicas e neuropáticas.

Ela também atua em doenças como o glaucoma, aliviando a pressão ocular, e na epilepsia, evitando as convulsões. Na esclerose múltipla, diminui os espasmos musculares.

Para uso terapêutico, o THC, princípio ativo da maconha, pode ser consumido por via oral, sob a forma de comprimidos, sempre com controle médico.

Quais são as causas da dependência da maconha?

Em primeiro lugar, deve-se ter em mente que não há consenso entre os pesquisadores se há ou não uma dependência física da maconha. Se há, ela é muito menos intensa que a dependência a outras drogas. De qualquer forma, os sentimentos agradáveis propiciados pela maconha criam a tendência de usá-la reiteradamente.

Quais são os principais sinais e sintomas da dependência da maconha?

A maconha é um depressor da atividade cerebral. Os sintomas agradáveis que ela produz (relaxamento, sonolência, desconexão mental, etc.) são equivalentes aos desagradáveis (alucinações, delírios persecutórios, medos avassaladores, etc.).

Os usuários da maconha sofrem uma distorção e acentuação geralmente agradáveis do tempo, das cores, dos sons e do espaço.

As capacidades motoras ficam prejudicadas, tornando perigoso dirigir um automóvel ou operar máquina pesada.

Qualquer usuário, mas especialmente aqueles com uma latência esquizofrênica, podem tornar-se confusos e desorientados, apresentar psicose tóxica e perder a noção de quem são, de onde estão ou em que tempo estão.

Reações de pânico podem ocorrer ocasionalmente em consumidores novos.

A maconha bloqueia a memória de curto prazo e, em homens, diminui a produção de espermatozoides, mas não afeta a libido.

Em mulheres ela pode ocasionar ciclos menstruais irregulares e, se gestarem, produzir fetos de menor tamanho que o normal.

Nas mulheres usuárias que estejam amamentando, o THC passa para a criança e pode afetá-la da mesma maneira que a mãe é afetada.

Depois de consumir uma dose da maconha a pessoa apresenta, além disso, pouco equilíbrio e força muscular, perda da coordenação motora, aumento dos batimentos cardíacos, percepções distorcidas, ansiedade, olhos avermelhados, boca seca e dificuldade na solução de problemas.

Como a maconha é eliminada lentamente do organismo, as reações de abstinência tendem a ser leves e muitas vezes nem chegam a ser perceptíveis para o consumidor moderado, mas podem incluir aumento da atividade muscular, espasmos e insônia.

O uso regular, por seu turno, torna os usuários mais suscetíveis à asma, enfisema pulmonar, bronquite e câncer pulmonar.

O diagnóstico da dependência de maconha pode ser feito pelo relato do próprio paciente, pela captação de seus sintomas e pela dosagem sanguínea de seus derivados.

O tratamento das pessoas dependentes da maconha deve ser voltado para o âmbito biológico, psicológico e social da questão.

As medicações podem ser usadas para aliviar sintomaticamente alguns sintomas, mas o tratamento de longo prazo deve ser, em sua maior parte, terapias psicológicas, como a entrevista motivacional, psicoterapia cognitiva comportamental e o manejo de contingências.

O tratamento farmacológico deve abordar, sobretudo, os estados de intoxicação aguda, as psicoses induzidas pela maconha e as outras comorbidades psiquiátricas associadas a esta droga, como a depressão, a ansiedade, o pânico e o transtorno de déficit de atenção.

Não é certo que haja sintomas de abstinência da maconha ou qual seja a natureza deles.

O consumo prolongado de maconha pode causar danos aos pulmões e ao sistema reprodutivo.

Psicoterapias


Psicoterapias são métodos de tratamentos para problemas emocionais, visando remover ou modificar sintomas existentes e corrigir padrões disfuncionais de relações interpessoais. Na maioria das vezes o terapeuta vale-se da palavra e estabelece um diálogo com a finalidade de corrigir comportamentos e/ou sentimentos anômalos, mas pode se valer também de expressão corporal, representações teatrais, etc. Contudo, o verdadeiro diálogo terapêutico não deve ser um simples bate-papo, ainda que reconfortante, mas obedecer a princípios técnicos que envolvem uma técnica rigorosa. Por isso, a formação do terapeuta é, necessariamente, longa e minuciosa. O terapeuta tem a dupla tarefa de, por um lado, não deixar que a relação com os pacientes perca o necessário calor humano e, por outro, não deixar que ela seja uma simples conversação informal. As técnicas utilizadas variam em função das teorias psicológicas em que se baseiam, dos objetivos que tenham, da frequência e da duração das sessões.

Uma boa relação profissional-paciente (médico-paciente, psicólogo-paciente, etc.) deve ser distinguida das psicoterapias. Enquanto aquela deve existir em toda atividade profissional, qualquer que seja seu objetivo e pode basear-se apenas no bom senso, as psicoterapias têm como objetivos específicos tratar problemas psicológicos mediante técnicas especiais e só devem ser conduzidas por especialistas.

A literatura especializada faz menção a mais de 400 tipos diferentes de psicoterapias. Daí se vê, então, as dificuldades que enfrenta o profissional que tem que escolher o tipo de psicoterapia mais adequado para um determinado paciente. Fatores de diversas naturezas devem ser levados em conta: tipo de problema psíquico do paciente, sua motivação, maior ou menor exigência de privacidade, disponibilidade de tempo e dinheiro, constituição da personalidade do paciente, capacidade de estabelecer uma boa relação interpessoal, existência ou não de profissionais especializados no local onde o paciente reside, etc. Aqui serão mencionados apenas os tipos mais comuns:

Psicanálise

O termo “psicanálise” refere-se a:

1.Uma teoria psicológica.
2.Um método de investigação do inconsciente.
3.Uma técnica terapêutica.

Nesse último sentido, a psicanálise é a forma mais sofisticada de psicoterapia e exige do profissional uma preparação longa e custosa. A psicanálise foi iniciada por Sigmund Freud em princípios do século XX, destinada a tratar as neuroses, e visa promover uma reformulação profunda e radical da personalidade. Em geral, ela é um processo muito longo (alguns anos) que se desenvolve em 3 a 5 sessões por semana. O paciente deve ficar recostado num divã, com o psicanalista assentado à sua cabeceira. Este se comporta de uma maneira neutra, sem expressar opiniões, fazer perguntas ou dirigir as entrevistas em qualquer sentido, concedendo ao paciente liberdade para escolher o rumo de sua conversação. Intervém em alguns momentos apenas para apontar certas conexões ou incoerências da fala ou do comportamento dos pacientes, não notadas por eles (inconscientes), visando com isso produzir insights no paciente. A grande frequência de sessões e a conduta passiva permitem que se desenvolva uma regressão e uma relação transferencial em que o paciente desloca sentimentos originariamente dirigidos a pessoas do seu passado para a figura do analista, os quais devem ser tecnicamente manejados em benefício do paciente.

Nos últimos anos, sob a influência de Jacques Lacan, a psicanálise vem passando por grandes modificações teóricas e técnicas e fica difícil atribuir a ela parâmetros estáveis.

Psicoterapias de orientação psicanalítica

São psicoterapias baseadas na teoria psicanalítica da mente (freudianas, basicamente), mas destinadas a tratar problemas emocionais limitados e remover defesas patológicas, sem visar uma reformulação profunda da personalidade. Em geral o divã, um instrumento destinado a promover ou facilitar a transferência, não é utilizado. O terapeuta deve observar alguns dos princípios terapêuticos da psicanálise, podendo, no entanto, comportar-se de forma mais interveniente, dirigindo as associações do paciente para aspectos patológicos mais específicos.

Psicoterapias breves e focais

São psicoterapias que se valem de recursos dinâmicos (psicanalíticos) ou outros (reforço do ego, experiência emocional corretiva, aprendizagem, etc.). Caracteriza-se pelo estabelecimento de sintomas-foco, pela eleição de uma hipótese psicodinâmica e pela limitação do número de sessões (em torno de 20 sessões). Ao contrário das terapias precedentes, interessa-se mais pelo futuro que pelo passado. O terapeuta age de maneira ativa, dirigindo as associações e mantendo o foco eleito e podendo mesmo ter atitudes de aconselhamento e apoio.

Psicoterapias de apoio

São terapias em que o terapeuta oferece suporte a um ego enfraquecido, sob a forma de encorajamentos, conselhos, exortações, ensinamentos, sugestões, direcionamentos, etc. Em geral são terapias de duração breve, direcionadas a crises, mas também podem ser terapias longas que procuram manter suportes para pessoas de ego constitutivamente frágil. Geralmente o terapeuta adotará um papel ativo e transparente e aparecerá para o paciente como um modelo ao qual ele deve se identificar. Elas são utilizadas em crises e não pretendem fazer modificação na personalidade, mas recompor o equilíbrio existente previamente.

Psicoterapias comportamentais

São terapias que se baseiam em alguns princípios da teoria da aprendizagem (condicionamento clássico, condicionamento operante, aprendizagem social, inibição recíproca, dessensibilização, etc.), segundo os quais os comportamentos anormais são resultantes de aprendizagem e podem ser reaprendidos. As terapias comportamentais procuram detalhar ao máximo os sintomas do paciente: o que determina o aparecimento deles, o que os agrava ou desencadeia, quais seus antecedentes, em que situações se manifestam e quais situações os mantêm, que pensamentos os acompanham, quais as táticas utilizadas pelos pacientes para evitá-los, etc., e se vale das suas diferentes técnicas para fazer face a eles. Cada vez mais os terapeutas comportamentais dão valor também a aspectos interiores da pessoa, como sentimentos e pensamentos disfuncionais. A denominação de “cognitivo-comportamentais” que essas psicoterapias vêm assumindo, denotam a tendência a conceder importância também a fatores subjetivos dos comportamentos.

Psicoterapias de grupo

Trabalho com grupos reunidos em função de problemas comuns (grupos de gestantes, grupos de diabéticos, grupos de dependentes químicos, etc.) ou gerais. Nos grupos podem ser mais bem observados e tratados os padrões anômalos de interação interpessoal. Os terapeutas de grupo podem ter diversas orientações teóricas, mas visam sempre resolver problemas pessoais ou grupais, por meio de diferentes modos de intervenção (interpretações psicanalíticas, role playing, exercícios estruturados, etc.). Além disso, o simples fato de participar de um grupo aumenta o sentimento de pertinência e solidariedade, facilita a sociabilização, permite constatar que muitos problemas são comuns a muitas pessoas e como pessoas diferentes os solucionam, além de permitir a catarse, através da ventilação dos problemas e emoções.

Ludoterapias

A ludoterapia é uma aplicação da psicoterapia às crianças. Como elas ainda não conseguem manter um diálogo pelo tempo necessário, nem são capazes de entendê-lo cabalmente, a comunicação com as crianças é feita de maneira simbólica mediante o uso de brinquedos (fantoches, jogos, desenhos, etc.). Estes são, ao mesmo tempo, a maneira como a criança se expressa e o material que o terapeuta interpreta e procura compreender. Quando, por exemplo, uma criança toma dois bonequinhos e simula uma briga entre eles e ao mesmo tempo pede que eles parem de brigar, por certo está reproduzindo uma cena conhecida que lhe é aflitiva. Além disso, com sua imaginação a criança cria super-herois, fadas, dragões, feiticeiras e outras figuras míticas e interage com elas de modo a vivenciar seu heroísmo e vencer seus medos, o que as ajuda a criar maior confiança e coragem. Ao mesmo tempo, a ludoterapia permite que a criança libere tensões, frustrações, inseguranças, agressividades e confusões, sem que a criança tenha consciência de estar fazendo isso.

Hipnose

A hipnose não é uma técnica psicoterápica, mas um recurso operativo utilizado por algumas correntes de psicoterapia. A hipnoanálise, por exemplo, é uma variação (pouco utilizada) do método psicanalítico que usa a hipnose para vencer determinadas resistências, facilitar as livres associações e a expressão de emoções. No entanto, nem toda pessoa é susceptível de ser hipnotizada e nem todo psicanalista tem treinamento para hipnotizar. Ademais, é discutível se o ato de hipnotizar é compatível com os requisitos da técnica psicanalítica clássica. Grande parte dos profissionais que atualmente se valem da hipnose não é formada de psicanalistas, mas de terapeutas de orientações próprias. A chamada hipnoterapia é hoje uma corrente autônoma de tratamento. Em muitas oportunidades, a hipnose é utilizada com outras finalidades que não as psicoterápicas: tratamentos dentários, enfrentamento de situações específicas e até mesmo demonstrações em espetáculos.

Psicodramas

O psicodrama é uma variante das psicoterapias de grupo que as associa com técnicas de representação dramática oriundas do teatro. Nela o terapeuta procura que o cliente atue, diante de um grupo de pessoas, aspectos especiais dos conflitos que verbaliza e se vale dessa atuação para fazer suas análises, levando em conta, também, as observações e comentários feitos pelo próprio grupo. Na encenação, o paciente escolherá um cenário e outros membros do grupo como coadjuvantes para representar as pessoas de seu mundo real envolvidas em seus conflitos. Assim, acrescenta ao relato aspectos novos que podem ser assinalados pelo grupo e percebidos por ele próprio. Além disso, o paciente pode ser auxiliado a expressar suas dificuldades por outros membros do grupo que atuam como egos auxiliares. Do ponto de vista do seu desenvolvimento, o psicodrama compreende três fases bem demarcadas: a do aquecimento, em que o grupo, através de conversações, chega ao problema a ser enfocado; a da representação propriamente dita, em que o paciente comanda a encenação dramática de seu problema e a da análise do representado, em que o grupo e o terapeuta fazem comentários sobre o representado. Cada uma dessas fases compreende técnicas específicas, que devem ser introduzidas pelo terapeuta, conforme a conveniência.

Psiquiatra, psicólogo ou psicanalista?


Todos os três são profissionais da área de saúde mental, por isso, é compreensível que o leigo tenha certa dificuldade de diferenciar entre eles e procure saber o que os distingue.

Na prática, essa necessidade se torna mais patente quando uma pessoa necessita de uma assistência "PSI" para si ou para alguma pessoa da família e não tem clareza sobre qual profissional procurar.

Embora todos estes profissionais trabalhem no campo da saúde mental, diferenças importantes podem ser identificadas entre eles. As diferenças se referem à formação profissional, ao modo de compreender o comportamento humano e, consequentemente, aos métodos de intervenção.

O psiquiatra é um médico com especialização em Psiquiatria, isto é, depois de cursar uma faculdade de Medicina, faz residência em instituições de saúde mental, clínicas e hospitais psiquiátricos estudando, especialmente, as doenças mentais e outros comportamentos que fogem à “normalidade”. Desta forma, o médico psiquiatra está mais bem preparado para lidar com as doenças mentais, sobremaneira aquelas que tenham uma base orgânica conhecida ou suposta.

Seus diagnósticos são, na maior parte das vezes, eminentemente clínicos e baseados em manuais como CID 10 (10ª Versão do Código Internacional de Doenças da OMS) e DSM-V (5ª Versão do Manual Diagnóstico e Estatístico, americano). Os tratamentos desenvolvidos por eles são principalmente medicamentosos, com antipsicóticos, antidepressivos, ansiolíticos e outros psicofármacos. Alguns psiquiatras, no entanto, sentem-se no direito de abordar problemas eminentemente psicológicos, embaralhando ainda mais a definição de seu campo específico.

Somente alguns poucos psiquiatras têm treinamento específico em psicoterapia, embora muitos dizem fazê-la, praticando, muitas vezes, um processo amadorístico. Contudo, muitas situações psicológicas pontuais que nem sempre requerem uma psicoterapia, como crises de ansiedade ou depressões reativas, por exemplo, podem se beneficiar de uma terapêutica medicamentosa e podem ser conduzidos com êxito pelo psiquiatra.

O psicólogo é um profissional que concluiu a graduação em uma faculdade de Psicologia e depois se especializa numa das diversas áreas possíveis: clínica, organizacional, educacional, esportiva e outras. Alguns psicólogos atuam em pesquisas em universidades sobre o comportamento humano.

A confusão com o psiquiatra se dá com os psicólogos clínicos. Para atuar na área clínica, o psicólogo geralmente se especializa em questões psicológicas e em técnicas e meios para analisar e intervir nelas, principalmente a psicoterapia. No Brasil, o psicólogo é privado de receitar medicamentos. Assim, ele usa a mediação verbal para conduzir seu cliente a se tornar mais consciente das coisas do seu dia-a-dia e busca proporcionar a ele a aprendizagem de meios mais saudáveis para lidar com as suas dificuldades.

O psicólogo que trabalha com psicologia clínica é também chamado de psicoterapeuta.

O psicanalista é um profissional de nível superior, geralmente médico ou psicólogo, que faz, posteriormente, um curso numa instituição psicanalítica e submete-se à Psicanálise. Esse processo é geralmente chamado “formação psicanalítica” e se dá numa instituição profissional para-legal.

Ele atende pessoas com demandas por vezes análogas àquelas apresentadas ao psicólogo ou ao psiquiatra, mas que desejam uma reforma mais ampla de sua personalidade. A Psicanálise tanto é uma teoria psicológica quanto um método de tratamento, introduzidos por Sigmund Freud e posteriormente modificado por outros, como Lacan, por exemplo. Embora muito difundida, a Psicanálise não tem status científico e sua eficácia muitas vezes é questionável quanto ao equilíbrio custo-benefício, já que trata-se de um processo complexo e longo, podendo não apresentar melhoras significativas.

É comum haver combinação de psicofármacos e psicoterapia como meio de intervenção em certos transtornos mentais. Assim, pode acontecer que o psiquiatra faça o encaminhamento para o psicólogo clínico e, num sentido inverso, que o psicólogo indique ao paciente procurar também um psiquiatra que receite medicamentos.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Tirando cismas: Bicarbonato de Sódio


O bicarbonato de sódio é um sal composto de íons de sódio e bicarbonato, fórmula NaHCO3. É um pó fino, branco e cristalino, solúvel em água, que tem um sabor ligeiramente salgado e alcalino, parecido com os refrigerantes (carbonato de sódio).

O bicarbonato de sódio é daquelas substâncias que têm "mil e uma utilidades". Alguns de seus principais usos são:

Na higiene pessoal:

A pasta de dente contendo bicarbonato de sódio mostrou ter um melhor branqueamento e efeito de remoção da placa bacteriana do que pastas de dentes sem esse produto. Algumas limpezas de dentes realizadas por dentistas é feita com água bicarbonatada.

Na cozinha:

Na cozinha, o bicarbonato de sódio é usado principalmente como fermento. O dióxido de carbono liberado provoca a expansão da massa e confere forma e textura características a panquecas, bolos, pães e outros alimentos. O bicarbonato de sódio pode ser usado em conjunto com ácidos, inclusive o fermento convencional, fazendo um produto mais leve e com um sabor menos ácido. A decomposição do bicarbonato de sódio pelo calor (temperatura superior a 80%) pode, por si mesma, fazer com que ele atue como fermento, liberando dióxido de carbono. O bicarbonato de sódio também pode ser usado na culinária de vegetais verdes, dando-lhes uma cor verde-clara, devido à sua reação com a clorofila, produzindo clorofilina. Também é usado para amadurecer carnes.

Na limpeza:

O bicarbonato de sódio é usado em um processo para remoção e corrosão de tintas. O processo é particularmente adequado para a limpeza de painéis de alumínio. Uma pasta feita de bicarbonato de sódio com água é recomendada como um produto de limpeza suave e útil na remoção de ferrugem de superfícies. Uma solução de bicarbonato em água morna removerá o manto da prata quando a prata estiver em contato com uma peça de papel alumínio. O bicarbonato de sódio é comumente adicionado às máquinas de lavar roupa como um substituto para o amaciante e para remover odores da roupa. O bicarbonato de sódio também é eficaz na remoção de manchas pesadas de chá e café de copos quando diluído com água morna.

Como desinfetante:

O bicarbonato de sódio tem propriedades desinfetantes fracas, mas pode ser um fungicida eficaz contra alguns organismos. Às vezes, é usado para absorver cheiros de mofo e, com esse fim, tornou-se um método confiável para vendedores de livros usados, por exemplo.

Como extintor para pequenos incêndios:

O bicarbonato de sódio pode ser usado para extinguir pequenos incêndios elétricos ao ser jogado sobre o fogo, pois o aquecimento do bicarbonato de sódio libera dióxido de carbono. No entanto, não deve ser aplicado a incêndios em frigideiras, porque a libertação repentina de gás pode fazer com que a gordura salpique. O bicarbonato de sódio é usado em extintores químicos secos de fogo como uma alternativa ao fosfato de diamônio, mais corrosivo. A natureza alcalina do bicarbonato de sódio faz dele o único agente químico seco, além de Purple-K, usado em sistemas de supressão de fogo em grande escala, instalados em cozinhas comerciais.

No controle de pragas:

O bicarbonato de sódio pode ser usado para matar baratas. O gás liberado por ele quando ingerido pelas baratas faz com que os órgãos internos delas explodam. Ele pode também ser eficaz ao controlar o crescimento de fungos, evitando o mofo.

Produção de pH alcalino:

O bicarbonato de sódio pode ser administrado em piscinas, spas e pequenos lagos de jardins para aumentar a alcalinidade desses ambientes, facilitando um pH adequado.

Nos esportes:

Pequenas quantidades de bicarbonato de sódio demonstraram ser úteis como suplemento para atletas em eventos baseados em velocidade, como corrida de distância média, que dure de cerca de até sete minutos. No entanto, é preciso cuidados com a superdosagem, pois o bicarbonato de sódio é ligeiramente tóxico.

Fabricação de alguns fogos de artifício:

O bicarbonato de sódio é um dos principais componentes dos fogos de artifício comuns, chamados de "cobra negra". O efeito é causado pela decomposição térmica, que produz gás dióxido de carbono para formar uma cinza longa, tipo cobra.

Como neutralizador de soluções ácidas indesejadas:

O bicarbonato de sódio é anfotérico (reage com ácidos e com bases). Com ácidos, libera gás CO2 como produto de reação. É comumente usado para neutralizar soluções de ácido indesejadas ou involuntariamente derramadas.

Uso veterinário:

O bicarbonato de sódio é utilizado como suplemento alimentar para gado, em particular como agente tampão para a ruminação dos animais.

Usos médicos do bicarbonato de sódio

Dissolvido em água, o bicarbonato de sódio pode ser usado como antiácido para tratar azia. Sua reação com o ácido estomacal produz sal, água e dióxido de carbono (NaHCO3 + HCl → NaCl + H2O + CO2). Em aplicação intravenosa, a solução aquosa de bicarbonato de sódio às vezes é usada para casos de acidose ou quando os íons de sódio ou de bicarbonato estão insuficientes no sangue. Pode ser usado também na ressuscitação cardiopulmonar de supervisão médica. A infusão de bicarbonato é indicada para o tratamento da hipercalemia e overdoses de aspirina ou antidepressivos tricíclicos. Também pode ser aplicado topicamente como uma pasta para aliviar alguns tipos de reações a picadas de insetos. O bicarbonato de sódio também alivia as coceiras associadas à reação alérgica provocada por certas plantas como hera venenosa, carvalho venenoso ou sumac venenoso. Pode também ser adicionado aos anestésicos locais, para acelerar o aparecimento de seus efeitos e tornar a injeção deles menos dolorosa. É também usado em certas cirurgias nasais. Descobriu-se também que ele causa aumento da força óssea em pacientes que estejam perdendo cálcio na urina. Soluções do bicarbonato de sódio também foram usadas por manifestantes para aliviar os efeitos da exposição ao gás lacrimogêneo durante protestos.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Síndrome de Capgras



A síndrome de Capgras (ou delírio de Capgras) é um distúrbio psiquiátrico raro em que a pessoa afetada sustenta a crença delirante de que um conhecido, normalmente um cônjuge ou outro membro familiar próximo, ou até mesmo seu animal de estimação ou um objeto inanimado, foi substituído por um impostor idêntico. 

O primeiro relato desta condição foi feito em 1923, pelo psiquiatra francês Joseph Capgras.

A causa desta rara condição não é inteiramente conhecida. 

Contudo, existem hipóteses da psicanálise de que a síndrome está ligada ao Complexo de Édipo e da psicodinâmica que indicam que a síndrome de Capgras está ligada a sentimentos reprimidos. 

Contudo, essas hipóteses não são comprovadas.

Muitos estudiosos acham que esta desordem seja resultante de alguma anormalidade orgânica do cérebro. 

Apesar de que a maior parte de pessoas com esta síndrome sejam pacientes psiquiátricos, mais de um terço dos mesmos apresentam sinais de traumatismo craniano, epilepsia, mal de Alzheimer ou outras formas de demências. 

A esquizofrenia também é uma causa frequente de episódios de síndrome de Capgras.

Os portadores da síndrome de Capgras são capazes de reconhecer feições de pessoas próximas, mas não conseguem associá-las a uma sensação de verdadeira familiaridade. 

Esse quadro clínico era mais visto em psicoses graves e de evolução sem tratamentos eficazes. 

Atualmente, que medicações eficazes controlam as psicoses e interrompem seu curso desde o início, ele se torna cada vez mais raro. 

A síndrome de Capgras é ligeiramente mais comum nas mulheres do que nos homens.

O diagnóstico da síndrome de Capgras é eminentemente clínico e dependente dos relatos dos pacientes e das pessoas que lhes são próximas. 

Além da síndrome em si, é mandatório reconhecer a enfermidade em que ela se acha inserida. 

Um diagnóstico diferencial da síndrome de Capgras deve ser feito com a síndrome de Fregoli (em que uma pessoa detém uma crença ilusória de que pessoas diferentes são de fato uma única pessoa que muda de aparência ou está disfarçada), a intermetamorfose, a síndrome de Cotard e o déjà vu.

Não existe um tratamento específico para pessoas com síndrome de Capgras, mas há opções de tratamento que podem ajudar a aliviar os sintomas. 

O tratamento visa abordar a causa subjacente e comumente são indicados medicamentos antipsicóticos e terapia individual para tratar os delírios. 

No entanto, o tratamento mais eficaz é criar um ambiente positivo e acolhedor em que a pessoa afetada pela síndrome se sinta segura.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Síndrome de Cotard



A síndrome de Cotard, também chamada delírio de Cotard, síndrome do cadáver ambulante, delírio niilista ou delírio de negação, é uma condição mental rara em que a pessoa alega não possuir certos órgãos como, por exemplo, os intestinos ou os pulmões ou que eles estão em decomposição. 

Ou mesmo que ela própria como pessoa está morta e não existe, crença que pode se estender a seus familiares, amigos ou ao mundo que a rodeia.

O neurologista francês Jules Cotard identificou o primeiro caso em 1880. Em 1882 ele descreveu o quadro como "Delírio de Negação". Em 1893, Emil Régis conferiu ao distúrbio o nome de Síndrome de Cotard.

A síndrome de Cotard é uma condição psiquiátrica que pode ocorrer durante as psicoses, sobretudo nos quadros depressivos da Psicose Maníaco-Depressiva (atualmente chamada Desordem Bipolar) ou na Esquizofrenia e, portanto, parece ser de natureza psicológica.

No entanto, há a hipótese de que essa realidade distorcida seja causada por um mau funcionamento em uma área do cérebro chamada giro fusiforme e também na amígdala (um conjunto de neurônios em forma de amêndoa que processa suas emoções). Pode também associar-se à síndrome de Capgras (distúrbio psíquico no qual uma pessoa crê, delirantemente, que um membro familiar próximo, foi substituído por um impostor idêntico).

A síndrome de Cotard é um tipo de delírio que geralmente é associado à negação de partes de si mesmo ou da auto-existência como um todo. A pessoa que experimenta esse delírio pode acreditar que esteja morta, morrendo ou que partes do corpo não existem e que não precisa exercer atividades tidas como vitais, como beber, comer, higiene básica, etc.

Qualquer evidência para sustentar o fato de que ela está viva (como o fato de estar caminhando, falando, respirando, etc.) é "explicada" por essa pessoa de forma contrária, para sustentar sua crença. As pessoas com essa condição negligenciam sua saúde física e higiene pessoal.

Esse quadro clínico era mais frequentemente visto em psicoses graves e de evolução sem tratamentos eficazes. Atualmente, que medicações eficazes controlam as psicoses e interrompem seu curso desde o início, ele se torna cada vez mais raro.

O diagnóstico da síndrome de Cotard é eminentemente clínico e dependente dos relatos dos pacientes e das pessoas que lhes são próximas. 

Além da síndrome em si, é mandatório reconhecer a enfermidade psiquiátrica em que ela se acha inserida. Associados a ela existem outros sintomas psiquiátricos devidos à enfermidade de base.

Não há cura específica para a síndrome de Cotard, mas a enfermidade de base, na qual ela está inserida, pode ser controlada com medicação. O tratamento pode envolver medicamentos antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores do humor.

A síndrome de Cotard costuma ter três etapas. 

Na primeira etapa, de germinação, os pacientes sofrem crises de depressão psicótica e sintomas hipocondríacos. 

Na segunda, de florescimento, há o desenvolvimento completo e explosivo dos delírios de negação. 

E na terceira, crônica, persistem delírios graves e depressão crônica.

Hantavirose


Hantavírus é um grupo de vírus pertencentes à família Bunyaviridae, que são vírus esféricos, envelopados e medem cerca de 80 a 120 nm (nanômetros ou milimicrons). Algumas cepas de hantavírus causam doenças (hantaviroses), potencialmente fatais em seres humanos.

A doença é assim chamada em virtude de que um primeiro surto foi observado na área do rio Hantan, na Coreia do Sul. O vírus foi isolado no final da década de 1970 por Karl M. Johnson e Ho-Wang Lee e a doença foi finalmente descrita em 1993.

O hantavírus contamina os humanos a partir de roedores, particularmente camundongos. O vírus é encontrado na urina e nas fezes do animal, mas não o faz adoecer. Acredita-se que os seres humanos adoeçam com este vírus após ingerirem algum alimento ou bebida que tenham entrado em contato com a urina dos roedores ou tenham respirado poeiras contaminadas com fezes de camundongos.

O hantavírus parece não se espalhar de humano para humano. Locais fechados, a poeira gerada ao lavrar a terra, limpar casas antigas, paióis em silos subterrâneos para armazenar o milho ou porões em áreas rurais são ambientes de risco para a transmissão desta patologia. A doença é contraída pela inalação de partículas do ar formadas a partir da urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados.

A hantavirose pode manifestar-se como uma doença febril, aguda e inespecífica ou sob formas mais graves como a febre hemorrágica, com síndrome renal ou síndrome cardiopulmonar por hantavirose. As infecções predominam em áreas rurais, no sexo masculino e na faixa etária de 20 a 39 anos.

Geralmente, a doença simples não é suspeitada, já que os sintomas iniciais são comuns a outras doenças: febre, tosse, letargia, dor no corpo e dor de cabeça. Após 3 a 6 dias desses sintomas, a doença pode passar para formas mais graves, como a febre hemorrágica com síndrome renal ou a síndrome pulmonar.

A febre hemorrágica com síndrome renal tem um período de incubação de 7 a 42 dias. De início, há a presença de febre alta, calafrios, dor de cabeça, fotofobia, mialgias, dor abdominal, náuseas e vômitos, hiperemia cutânea difusa e petéquias no palato mole e axilas. A partir desta fase, é comum começar uma recuperação lenta, mas alguns pacientes podem evoluir com hipotensão arterial e choque.

A síndrome pulmonar tem um período de incubação estimado em 0 a 33 dias, sendo caracterizada por grave comprometimento cardiovascular e respiratório. Antes do aparecimento do edema pulmonar, são observados alguns sinais clínicos, como febre, mialgia, náuseas, diarreia, dor de cabeça, vômitos, dor abdominal, dor torácica, sudorese, vertigem, tosse e dispneia.

Na fase cardiorrespiratória, há uma progressiva infiltração de líquido e proteínas no interstício e alvéolos pulmonares, levando à taquipneia, hipoxemia e taquicardia. É comum hipotensão nesta fase da doença, podendo evoluir para choque, acompanhado de grave depressão miocárdica.

Basicamente, o diagnóstico de hantavirose é feito através da suspeita clínica e epidemiológica. A certeza diagnóstica pode ser obtida por meio de exames laboratoriais, como a imunofluorescência e E.L.I.S.A. A confirmação virológica pode também ser feita através da imunohistoquímica.

Não existe qualquer tratamento antiviral específico conhecido, mas a recuperação é possível com o tratamento de suporte. Os pacientes com suspeita de hantavirose são admitidos num hospital, onde recebem oxigênio e ventilação mecânica. Se o indivíduo infectado for diagnosticado precocemente e passar logo a receber os cuidados médicos adequados, os resultados serão melhores. Outra opção de tratamento é estimular a resposta imunológica do paciente. A administração de um anticorpo neutralizante do vírus pode efetivamente promover uma melhora.

A evolução clínica compreende as fases (1) febril, (2) hipotensiva, (3) oligúrica, (4) diurética e (5) de convalescença. Após a doença, o paciente deve ser monitorado pelo médico para avaliação de eventuais sequelas, como hipertensão arterial e insuficiência renal crônica, dentre outras. A taxa média de letalidade é de 46,5%; muito alta, portanto.

A melhor prevenção contra a hantavirose é eliminar ou minimizar o contato com roedores. Práticas de higiene também ajudam a evitar a doença. Algumas providências práticas podem ajudar a combater a situação, como roçar o terreno em volta de casa, dar destino adequado aos entulhos, manter alimentos estocados em recipientes bem fechados, etc.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Bioplastia


A bioplastia ou preenchimento cutâneo é uma forma de plástica sem cortes nem cirurgia que consiste num implante minimamente invasivo e que visa remodelar partes do corpo com as quais a pessoa não esteja satisfeita. Ela realiza o preenchimento de partes do corpo com determinadas substâncias, visando melhorar seus contornos e dando a elas um aspecto mais jovem e harmônico. Ela é utilizada em regiões corporais que tenham sido extirpadas por acidentes, sofrido reduções pela idade ou simplesmente por razões estéticas.

O paciente deve ser informado de como o procedimento irá se desenrolar e de suas possibilidades e riscos. A substância polimetilmetacrilato, biocompatível e de permanência indefinida (a bioplastia é uma plástica definitiva), é injetada por meio de uma espécie de agulha (microcânula) dirigida ao local desejado e inserida através de um pequeno orifício na pele. Esse processo é realizado no consultório, sob anestesia local e em uma única sessão. Estando lúcido, o paciente pode acompanhar todo o procedimento e verificar o resultado imediatamente após o término dele.

O polimetilmetacrilato é constituído por microesferas de acrílico de 40 a 50 micras de diâmetro, de superfície regular, que por seu tamanho (maior que um macrófago) não podem ser absorvidas pelo organismo. Cada milímetro cúbico da substância contém mais ou menos oito milhões de microesferas.

Para que elas atinjam o lugar planejado, devem ser veiculadas dispersas em um gel líquido, este sim, posteriormente, absorvido pelo organismo. Cada uma dessas microesferas, implantadas em definitivo, recebe uma capa rica em colágeno produzida pelo organismo. O mesmo procedimento técnico pode também ser feito com material absorvível, como o ácido hialurônico, por exemplo.

A bioplastia permite o preenchimento de várias regiões do corpo buscando harmonizar as linhas e as partes corporais entre si. Os locais mais comuns em que a bioplastia é aplicada são a face, principalmente as bochechas, que perdem volume com a idade, e os glúteos.

Em geral, a bioplastia facial visa preencher as maçãs do rosto, alterar o ângulo e o tamanho do nariz, realçar as linhas da mandíbula, refazer as formas labiais, etc.

A bioplastia dos glúteos visa redefinir a forma deles (preencher as depressões trocantéricas nas laterais do bumbum, por exemplo), torná-los maiores e mais empinados.

A bioplastia das mãos procura preencher os espaços criados pela diminuição das massas gordurosas subcutâneas e da musculatura inter-óssea, que ocorrem com o envelhecimento e expõem a saliência de vasos, nervos e tendões. Com isso, diminui ou corrige o aspecto senil das mãos.

A bioplastia peitoral é indicada para pessoas que sofrem hipotrofia ou agenesia do músculo peitoral (síndrome de Poland), reconstituindo, assim, a simetria corporal. E assim por diante...

A bioplastia feita com o polimetilmetacrilato é um procedimento irreversível. Uma vez injetadas, as microesferas aumentam o volume do órgão ou região que as recebeu e não podem mais ser retiradas.

Após o procedimento, a recuperação costuma ser rápida e simples, com pouco inchaço, rara roxidão (raramente se formam hematomas no local onde é feita a bioplastia) e pouco desconforto. O retorno às atividades rotineiras pode ser imediato.

Apesar de muito raras, a bioplastia pode ocasionar algumas complicações sérias, sejam elas devidas a erros de técnica ou a reações graves do organismo à substância utilizada. Por isso, ela deve ser sempre feita e orientada por um profissional especializado (geralmente um cirurgião plástico).

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Tilt teste


O teste da mesa de inclinação consiste em um exame em que a pessoa fica deitada numa mesa especial, a qual pode ser inclinada mecanicamente, de forma rápida, para elevar o corpo a uma posição de pé, de cabeça para cima, simulando a passagem da posição deitada para a de ficar de pé num breve espaço de tempo.

O teste da mesa de inclinação é usado para avaliar a causa de desmaios inexplicados (síncopes). O médico pode recomendar o teste da mesa de inclinação para esclarecer episódios repetidos e inexplicados de desmaios. Esse teste também pode ser apropriado para investigar a causa de um desmaio único, se a pessoa vive em situações que a colocam em grande risco ao ter um eventual segundo ataque.

Uma das patologias diagnosticadas pelo exame é a síncope neurocardiogênica ou vasovagal, que é a principal causa de desmaios em pessoas sem doença cardíaca pré-existente e que é, dentre outras formas, desencadeada pelo estresse ortostático, ou seja, pela permanência do indivíduo imobilizado em pé.


A preparação para o exame envolve jejum de pelo menos quatro horas. O paciente deve consultar seu médico para saber se deve ou não suspender os remédios que esteja usando. Antes de iniciar o teste da mesa de inclinação, serão colocados no peito, pernas e braços do paciente eletrodos adesivos conectados a um eletrocardiograma, que irá monitorar sua frequência cardíaca.

Um monitor de pressão sanguínea deve ser colocado em seu braço para verificar periodicamente sua pressão sanguínea durante o teste da mesa de inclinação. Uma veia do braço deve ser conectada para administração de medicação. A frequência cardíaca e a pressão arterial são medidas enquanto o paciente está deitado na horizontal.

Essa mesa pode, mecanicamente, ser inclinada em várias angulações ou ficar em posição vertical. Ela contém também um apoio para os pés, onde o paciente pode se apoiar para não escorregar quando a mesa está numa posição angulada ou horizontal.

A mesa deve permanecer em posição vertical por algum tempo, enquanto são medidas a frequência cardíaca e a pressão arterial do paciente. Isso simula a passagem da posição deitada para a posição de pé e permite que os médicos avaliem a resposta cardiovascular do corpo na mudança de posição.

Dependendo do motivo do teste, o paciente pode permanecer na posição vertical por poucos minutos (5 a 10 minutos) ou por um tempo maior (até 45 minutos). Esse movimento permite conhecer-se as variações de pressão arterial sistólica e diastólica e de frequência cardíaca (normal ou anormal), além do tipo e variações do ritmo cardíaco e do estado funcional dos reflexos de ajuste da pressão arterial e da frequência cardíaca nas posições deitada e em pé.

Nesse período, o paciente deve permanecer o mais quieto possível e, se sentir sinais e sintomas como náuseas, sudorese, tonturas ou batimentos cardíacos irregulares, deve informar à equipe que aplica o teste. Medicações podem ser administradas para ajudar o médico a analisar a função circulatória. Se o paciente desmaiar durante o exame ou estiver quase a desmaiar, enquanto estiver na posição vertical, a mesa é retornada para uma posição horizontal imediatamente e o paciente será monitorado de perto. A maioria das pessoas recupera a consciência ou seu estado normal quase que imediatamente.

Terminado o teste, o paciente pode retornar às suas atividades normais.


O teste da mesa de inclinação é seguro e as complicações são raras. Mas, como em qualquer procedimento médico, existem complicações. Dentre elas, pode acontecer da pressão arterial manter-se prolongadamente baixa e também podem haver pausas prolongadas entre os batimentos cardíacos. Essas complicações desaparecem quando a mesa é retornada para uma posição horizontal.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Síndrome da permeabilidade intestinal



O intestino é permeável a certas moléculas que provêm da alimentação e barra outras. Nisso consiste, em grande parte, a chamada absorção intestinal normal. As moléculas absorvidas pelo intestino, depois de passarem por outros processos orgânicos, caem na corrente sanguínea para realizar suas funções específicas. 

Quando essa permeabilidade se altera, temos a síndrome de permeabilidade intestinal, chamada também de intestino gotejante (“leak gut syndrome”, em inglês) e isso tem diversas repercussões sistêmicas.

Toxinas, micróbios, partículas de comida não-digeridas e outras caem na corrente sanguínea e o sistema imune marca estes "invasores" como patógenos e os ataca, gerando várias consequências. Alguns cientistas negam importância a esta síndrome, outros atribuem a ela um grande significado clínico.

Essa é uma condição hipotética, mais que uma condição clinicamente reconhecida. A existência dela é afirmada principalmente por nutricionistas e profissionais de medicina alternativa. Os defensores afirmam que ela resulta em várias doenças, incluindo síndrome da fadiga crônica, artrite reumatoide, lúpus, enxaquecas, esclerose múltipla e autismo. 

No entanto, há poucas evidências para apoiar a hipótese de que a síndrome do intestino permeável cause diretamente essa ampla gama de doenças.

Os principais culpados pelos sintomas da síndrome de permeabilidade intestinal são alimentos, infecções e toxinas. 

O glúten é a causa número um. Outros alimentos inflamatórios como laticínios ou alimentos tóxicos, como açúcar e álcool em excesso, são suspeitos também. As causas infecciosas mais comuns são infecção por cândida, parasitas intestinais e aumento excessivo das bactérias do intestino delgado.

Quais são as principais características clínicas da síndrome de permeabilidade intestinal?

Da síndrome de permeabilidade intestinal decorrem:

1.Dificuldades digestivas, que se manifestam por distensão abdominal, aumento de gases, estômago “pesado”, etc. devido à alteração da flora intestinal e à má digestão dos alimentos.


2.Alergias sazonais, devido ao descontrole imunológico que deixa de produzir os anticorpos necessários para combater os antígenos que penetram no organismo.


3.Maior incidência de enfermidades inflamatórias como artrite reumatoide, tireoidite de Hashimoto e outras do gênero.


4.Distúrbios hormonais diversos, que resultam em tensão pré-menstrual, ovários policísticos, etc.


5.Erupções cutâneas.


6.Alteração da produção de serotonina, com a ocorrência de ansiedade e depressão.


7.Intolerâncias alimentares, sobretudo à lactose e ao glúten.


8.Halitose, tanto devido ao desequilíbrio bacteriano como à má digestão dos alimentos.

Os métodos clássicos para avaliar a permeabilidade intestinal baseiam-se em dar ao doente, por via oral, determinadas substâncias marcadoras, de diferentes tamanhos moleculares, que não são metabolizadas e servem para avaliar, ao fim de algum tempo, a percentagem da sua eliminação urinária, que será o reflexo da sua absorção intestinal.

As substâncias utilizadas como marcadores têm que ser hidrossolúveis, não tóxicas e não metabolizáveis pelo organismo. Deverão, por outro lado, ser moléculas de tamanho molecular pequeno, equivalentes às moléculas de monossacarídeos, aminoácidos, ácidos gordurosos, etc. ou de tamanhos um pouco maior equivalentes aos dissacarídeos e peptídeos pequenos.

Normalmente, a prova de sobrecarga oral é feita com manitol (moléculas pequenas) e lactulose (moléculas grandes), com coleta da urina nas seis horas seguintes e quantificação cromatográfica da percentagem eliminada das substâncias ingeridas. O manitol deve ser absorvido entre 5 e 30%, enquanto que a lactulose não deve ultrapassar 0,5%.

Os partidários da síndrome advogam vários tratamentos para ela, como suplementos dietéticos, probióticos (bactérias benéficas que podem melhorar a saúde), ervas, alimentos isentos de glúten e dietas de baixo teor de açúcar ou antifúngicas. Contudo, há poucas evidências de que os tratamentos oferecidos sejam realmente benéficos.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Indutores da ovulação 


A ovulação é o processo natural mediante o qual o corpo da mulher (os ovários) libera o óvulo para que ele possa migrar pelas trompas e, eventualmente, encontrar o espermatozoide e ser fecundado, para gerar uma nova vida.

Em mulheres que têm ciclos menstruais regulares de 28 dias, a ovulação acontece entre o 11º e 15º dia antes de cada menstruação, no chamado período fértil da mulher. 

Se o óvulo for penetrado por um espermatozoide, ocorre a fecundação e isto marca o início da gravidez, mas se o óvulo não for fecundado, alguns dias depois ocorrerá a menstruação, dando início a um novo ciclo menstrual.

Indutores de ovulação são medicamentos que induzem quimicamente a ovulação em mulheres que tem ovulação irregular ou que não ovulam naturalmente. 

Há indutores da ovulação à base de citrato de clomifeno, geralmente indicados para casos mais simples, ou à base de gonadotrofinas, para casos mais complexos. 

Os medicamentos para indução da ovulação podem ser tomados por via oral ou em injeções intramusculares ou subcutâneas.

A anovulação (falha nos ovários em liberar óvulos) é uma das principais causas de infertilidade. 

A indução da ovulação (liberar óvulos) deve ser feita em mulheres que tenham dificuldades de ovular naturalmente, como aquelas portadoras da síndrome do ovário policístico, por exemplo. 

Ela deve ser reservada para aqueles casos em que a mulher não tenha problemas físicos que impeçam a ovulação ou a concepção. 

Também se pratica a indução da ovulação quando um casal não possui explicação para a sua infertilidade, o homem possui espermatozoides normais e a mulher não apresenta alterações no sistema reprodutor. Ou seja, uma infertilidade inexplicada.

Os medicamentos indutores da ovulação agem na hipófise, estimulando-a a produzir uma quantidade maior de hormônio folículo estimulante (FSH), que atua na maturação dos óvulos e sua ulterior liberação e também no hipotálamo, estimulando a produção do hormônio luteinizante (LH), que “avisa” os ovários de que está na hora de liberar óvulos maduros. 

Os indutores da ovulação devem ser usados por até seis ciclos menstruais, embora, bastem três para que a ovulação ocorra. 

O tratamento não deve se estender por mais de doze ciclos seguidos. 

Nesse período, o monitoramento dos ovários pode ser feito por meios de ultrassonografias que detectem se a ovulação está ou não próxima de ocorrer. 

Nas mulheres com síndrome dos ovários policísticos, a medicação pode não fazer efeito e, nas obesas, ele também é bem menos eficiente.

Se houver suspeita de gravidez durante o tratamento ele deve ser imediatamente interrompido, sob o risco de provocar aborto.

Os remédios indutores da ovulação podem ter como efeitos colaterais alterações de humor, inchaço nos ovários, dor abdominal, dor nos seios, insônia, enjoos, vômitos, visão embaçada, dor de cabeça, cansaço, irritabilidade, depressão e ganho de peso.

Tendo em conta a gravidez, a indução da ovulação pode ser associada a algumas técnicas de fertilização assistida, como coito programado, inseminação intrauterina ou inseminação “in vitro”, por exemplo.

Habitualmente, os indutores da ovulação são muito eficientes. 

Cerca de 70% das mulheres atingem o objetivo almejado nos primeiros três meses de tratamento e delas 15 a 50% engravidam, quando esse é o objetivo.

Um dos riscos dos indutores da ovulação é a síndrome de hiperestimulação ovariana, com desenvolvimento de líquido no abdome, edema generalizado, aumento dos ovários, múltiplos cistos ovarianos. 

Essa síndrome acontece quando os ovários respondem "bem demais" aos indutores e produzem um excesso de óvulos.

Se não for rápida e adequadamente tratada, pode levar à insuficiência renal grave, insuficiência respiratória e mesmo à morte.

Com o uso dos indutores da ovulação podem ocorrer alguns efeitos indesejados, como gestação múltipla, hiperestímulo ovariano, dor nas mamas, náuseas, vômitos, dores de cabeça e inchaço abdominal. 

Os indutores da ovulação podem causar também certa "secura" na vagina e, em casos mais raros, cistos no ovário. 

As contraindicações para o uso dos indutores da ovulação ocorrem nos casos de mulheres com cistos ovarianos, doenças no fígado, problemas tireoidianos não tratados ou tumores na hipófise.


 

Reprodução assistida


Denomina-se reprodução assistida a um conjunto de técnicas, utilizadas por médicos especializados, que têm como principal objetivo tentar viabilizar a gestação em mulheres (ou casais) com dificuldades de engravidar. 

Essas técnicas são usadas principalmente para tratamentos de infertilidade, mas podem também ser empregadas com casais férteis, nos quais se deseja fazer um diagnóstico genético pré-implantação do embrião e naqueles em que haja certas doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS, por exemplo, e que queiram, pois, prescindir do sexo natural. 

Foi na década de 1970 que médicos britânicos começaram a remover os ovos de mulheres que tinham problemas para engravidar e a fertilizá-los em laboratório. 

O primeiro bebê de proveta nasceu em 1978.

Hoje em dia, a tecnologia de reprodução assistida refere-se a todos os tratamentos que envolvem a manipulação de ovos ou embriões dentro e fora do corpo. 

Estes procedimentos são geralmente associados com medicamentos que aumentam a fertilidade para maximizar as taxas de sucesso. 

Mesmo assim, o êxito dos procedimentos de reprodução assistida é de apenas cerca de 30%.

A reprodução assistida pode envolver procedimentos como medicação, inseminação artificial, fertilização in vitro, “barriga de aluguel”, injeção intracitoplasmática de espermatozoides e criopreservação (conservação congelada de embriões). 

A reprodução assistida pode se dar de dois modos radicalmente diferentes se ocorrer 

(1) dentro do corpo da mulher, como na inseminação artificial ou 

(2) fora do corpo dela, como na fertilização in vitro. 

Ainda se considera reprodução assistida técnicas como doação de óvulos, de sêmen ou de embriões, congelamento de material biológico reprodutivo e de embriões para uso posterior, dentre outras. 

Alguns procedimentos cirúrgicos como, por exemplo, o tratamento de obstrução da tuba uterina, na mulher, ou do ducto deferente, no homem, ou a reversão de uma vasectomia também devem ser incluídos como reprodução assistida. 

A recuperação cirúrgica do esperma dos canais deferentes, do epidídimo ou diretamente do testículo também são procedimentos ambulatoriais simples de reprodução assistida.

Os procedimentos de reprodução assistida são invasivos, caros e podem ter efeitos secundários importantes. 

A chance de haver uma gravidez de dois ou mais fetos é aumentada, mas não se constata efeitos desfavoráveis à saúde no longo prazo das crianças nascidas a partir de procedimentos de reprodução assistida. 

A maioria das crianças que nasce de fertilização in vitro, por exemplo, não tem defeitos congênitos, no entanto, alguns estudos têm sugerido que a tecnologia de reprodução assistida está associada a um aumento do risco de defeitos congênitos acima das taxas normais. 

Os riscos principais são doenças genéticas, o baixo peso ao nascer, parto prematuro, deficiências visuais e paralisia cerebral.

Crianças nascidas de fertilização in vitro são aproximadamente duas vezes mais propensas à paralisia cerebral que as nascidas de fertilização normal.

A doação de esperma é uma exceção, porque a taxa de defeitos de nascimento é de apenas cerca de um quinto dos que ocorrem na população em geral, talvez porque os bancos de esperma só aceitam doação de pessoas com alta contagem de esperma e, portanto, inteiramente sadias quanto a esse aspecto. 

O uso de algumas técnicas de reprodução assistida tem sido associado a um aumento do risco geral de câncer infantil na prole, o que pode ser causado pela mesma doença ou condição que originou a infertilidade ou subfertilidade na mãe ou no pai.

Uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) regula certos aspectos da reprodução assistida no Brasil, como a fertilização in vitro e a inseminação artificial.

Idade máxima da mulher

A idade máxima para a mulher se submeter à inseminação artificial é de 50 anos.


Doação de óvulos

A doadora de óvulos não pode ter mais de 35 anos, para garantir que o óvulo seja inteiramente saudável.


Doação de espermatozoides

Somente homens com menos de 50 anos poderão doar para bancos de esperma.


Gays e solteiros

É permitido o uso da reprodução assistida por mulheres solteiras ou por casais homoafetivos.


“Barriga de aluguel”

Não é aceito o uso comercial da prática e só permite que ela seja feita quando a mulher que gera o filho tem algum parentesco até quarto grau (tias e primas) com a mulher de quem procede o ovo.


Descarte de embriões

Quando é feita uma fertilização in vitro, os médicos normalmente geram um número de embriões superior ao que será inseminado na paciente. A clínica de inseminação deverá manter os embriões congelados por cinco anos, depois dos quais eles poderão ser descartados ou doados para a ciência, conforme a escolha da mãe.


Seleção genética

É permitida a seleção genética de embriões para que o bebê não tenha uma doença hereditária. Segue vetada a escolha do sexo do bebê em laboratório, exceto quando a seleção for feita com o intuito de evitar doenças ligadas a esse sexo.

Inseminação artificial 


A inseminação artificial é um método muito antigo de tentar facilitar a gravidez para aqueles casais com dificuldades de conseguir uma gravidez natural e ainda é muito usada com animais.

Naturalmente, a inseminação humana se dá através de uma relação sexual em que o homem deposita na vagina da mulher certa porção de espermatozoides, os quais posteriormente atravessam o colo do útero e a luz uterina atingindo as trompas e continuam migrando no interior delas à busca de um óvulo. 

Se a mulher estiver em período fértil e tiver ovulado recentemente, um óvulo parte no sentido contrário procurando encontrar um espermatozoide e, se ambos se encontram, dá-se a fertilização e a formação de um ovo que, alojando-se no útero, irá gerar um novo ser. 

Algumas vezes acontece que por defeitos quantitativos ou qualitativos os espermatozoides do parceiro sexual masculino não conseguem cumprir todo esse percurso e a inseminação deles no útero da mulher tem de ser feita por meios artificiais, depois que os espermatozoides sejam selecionados ou que seja melhorada a concentração deles no sêmen, o que é feito em um laboratório.

Como preparação para o exame o homem deve ficar em abstinência sexual de dois a cinco dias, para garantir a qualidade e maior concentração dos espermatozoides. 

É importante também que ele, nesse tempo, evite estresse, calor excessivo na região genital, consumo exagerado de álcool e de fumo. 

Já para a mulher, é importante que ela esteja em boas condições de saúde para gestar e passe a tomar uma suplementação de ácido fólico. Inicialmente, o homem deve coletar certa porção de sêmen, por meio de masturbação. 

As amostras assim obtidas são selecionadas em laboratório e delas são retirados os espermatozoides de pouca mobilidade, as células imaturas e os restos celulares. 

Se o parceiro sexual masculino não produz espermatozoides ou se eles são de quantidade insuficiente eles podem ser obtidos em um banco de sêmen, de um doador anônimo.

Por seu turno, a mulher pode tomar medicamentos que induzam a ovulação.

Durante esse processo devem ser realizadas ultrassonografias seriadas para acompanhar o crescimento dos folículos ovarianos. 

Assim que eles estejam prontos para liberar os óvulos devem ser administrados medicamentos que facilitem essa liberação.

Quando a mulher estiver ovulando deve ser feita a colocação dos espermatozoides dentro do útero, visando a união dos gametas para a formação do embrião. 

A inseminação artificial é um procedimento que deve ser realizado em uma clínica de reprodução humana. 

Um cateter fino é inserido na vagina e corretamente posicionado por meio da ultrassonografia, por ele são injetados os espermatozoides. 

Geralmente os espermatozoides são depositados no colo do útero ou mais próximos às trompas e depois de doze dias desse procedimento pode-se fazer um teste de gravidez que indique se ele foi bem sucedido ou não.

A inseminação artificial normalmente é indicada para casais que desejam ter um filho e em que os espermatozoides do homem sejam poucos, lentos ou tenham dificuldades de movimentação ou em que a mulher sofra alteração do útero, como uma endometriose leve ou mesmo quando não há uma razão aparente para a infertilidade. 

A inseminação artificial também pode ser feita com espermatozoides doados em casos em que o parceiro da mulher não os possui no seu sêmen ou no caso de casais homoafetivos. 

A taxa de sucesso do procedimento por ciclo ovulatório não é muito alta (cerca de 20%) e quanto maior a idade da mulher, menores são as chances dela engravidar, sendo que essa chance é muito remota após os 35 anos. 

Se a primeira tentativa falhar, devem ser feitas até duas novas tentativas, após as quais o método deve ser abandonado e outras opções devem ser adotadas.

Com esse método há uma chance de 15% de gravidez gemelar. 

Isso não chega a ser uma complicação, mas é um resultado inesperado e naturalmente envolve riscos maiores que uma gravidez simples.

Fertilização in vitro 


Fertilização in vitro é aquela promovida num laboratório, sendo o óvulo resultante posteriormente implantado no útero de uma mulher, para que se desenvolva a gestação.

Denomina-se bebê de proveta ao bebê resultante desse método de fecundação. 

É exatamente o fato de que a fertilização seja realizada em laboratório que confere ao produto dela a denominação de bebê de proveta. 

O primeiro bebê de proveta do mundo nasceu em 1978 e o primeiro do Brasil em 1984.

Deve-se tentar uma fertilização in vitro quando não há possibilidade de uma fertilização e nidação (estabelecimento do embrião no útero) naturais, como ocorre no bloqueio das trompas de Falópio, por exemplo, em que há dificuldade da chegada dos espermatozoides até o óvulo. 

Também pode-se tentar o método se o homem tem um número reduzido de espermatozoides ou se a mobilidade deles é deficiente ou nula, impossibilitando-os de penetrar no óvulo e fecundá-lo. 

Outra situação em que o tratamento é indicado é em casos de casais homossexuais masculinos.

O primeiro passo é fazer a coleta dos gametas feminino e masculino. Inicialmente, a mulher deve fazer uma estimulação da ovulação por meio de fármacos indutores da produção e liberação de óvulos. 

Estes óvulos são recolhidos por aspiração, com a ajuda de uma ultrassonografia transvaginal. 

Esse procedimento deve ser feito num centro cirúrgico, com a paciente sedada e dura em torno de vinte minutos. 

Depois eles são levados ao laboratório, onde serão artificialmente fecundados por espermatozoides previamente selecionados.

Os espermatozoides devem ser coletados de certa porção de sêmen obtido por meio de masturbação. 

Se, por algum motivo, não houver espermatozoides no sêmen será preciso retirá-los diretamente dos testículos, por meio de uma punção.

Se o homem ou a mulher tiverem uma impossibilidade de produzir gametas, pode ser indicado o uso de gametas doados. 

Os óvulos e espermatozoides são colocados em meio de cultura apropriado, numa proporção de 100 a 200 mil gametas masculinos para cada gameta feminino. 

A cultura deve ser mantida em condições ideais de temperatura, em ambiente que simula as trompas. 

Se o processo de fertilização for bem sucedido, os ovos assim gerados são transferidos para o útero da mulher, dando início à gravidez. 

Além da técnica convencional em que um ou mais espermatozoides penetram no óvulo, existe a técnica em que o espermatozoide é artificialmente injetado dentro do óvulo. 

O ovo fertilizado é então transferido para o útero da mulher, depois de cinco dias de desenvolvimento laboratorial, por meio de um cateter inserido em sua vagina e corretamente posicionado no interior do útero por meio da ultrassonografia. 

Esse procedimento também deve ser realizado no centro cirúrgico, mas nem sempre requer anestesia. 

Após doze ou quatorze dias, é feito o exame para detectar se houve ou não sucesso do método.

O processo da fertilização in vitro é idêntico ao ocorrido no corpo da mulher, com a diferença que ocorre em laboratório. 

Portanto, não há riscos de malformação maiores do que numa fecundação natural. 

A fecundação pode não ocorrer, mas isso é algo muito raro.

A mulher que engravida por fertilização in vitro precisa dos mesmos cuidados com a saúde que aquela que engravida normalmente.

Também deve procurar verificar se há alguma doença que possa prejudicar a gravidez.

As chances de sucesso desse método dependem da idade da mulher e decresce com o passar do tempo.

Com esse método de fertilização in vitro há 25% de chance de gravidez gemelar. 

Isso não chega a ser uma complicação, mas é um resultado inesperado e naturalmente envolve riscos maiores que os de uma gravidez simples.

Dos mais de três milhões de bebês de proveta nascidos no mundo desde 1978, a maioria é saudável, no entanto, o grupo parece comportar maior risco de nascer com peso corporal menor, sofrer de obesidade, hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2 no decorrer da vida.

Infertilidade feminina 


O desejo de ter filhos existe de uma maneira ingente em praticamente todas as pessoas e ultrapassa a deliberação consciente de cada pessoa. 

Muitos casais engravidam “sem querer”, tanto fora quanto dentro do casamento. Reproduzir-se é um mandato da natureza e não uma mera decorrência da sexualidade.

As pessoas, homens ou mulheres, que não têm filhos, constituem raras exceções, e sabe-se lá a que preço. 

Mesmo casais homossexuais, embora satisfeitos em seus desejos libidinais, anseiam por um filho e procuram obtê-lo, ainda que por adoção.

Quando a reprodução natural encontra obstáculos por motivos orgânicos, geralmente as pessoas buscam fazê-la viável ou realizá-la por outros meios, a despeito dos grandes sofrimentos e gastos econômicos que isso implique. 

Não ter filhos é, para quase todas pessoas, principalmente para as mulheres, motivo de infelicidade e depressão.

Infertilidade é a dificuldade, mas não a impossibilidade total, de uma pessoa, homem ou mulher, em se reproduzir. 

Esterilidade, por seu turno, implica a noção de incapacidade absoluta de concepção. 

A infertilidade refere-se à situação em que um casal não consegue obter gravidez, sem o uso de qualquer método contraceptivo, após um ano de relações sexuais frequentes, ao menos 2 vezes por semana, no período fértil feminino.

A chance de um casal fértil engravidar é de 15 a 25% por mês (em um ciclo menstrual) e, assim, após um ano de tentativas essa taxa terá atingido pelo menos 80%. 

Por isso, deve-se esperar esse tempo para iniciar uma investigação médica sobre infertilidade, sendo que alguns médicos optam por esperar um ano e meio.

Em princípio, a infertilidade é do casal e só se pode falar em infertilidade feminina depois que alguma causa seja localizada na mulher. 

A dificuldade de engravidar devido a ambos os parceiros atinge aproximadamente 15% dos casais. 

Costuma-se também diagnosticar como infertilidade o caso de mulheres que chegam a engravidar, mas não conseguem manter a gestação até o final.

Há dois tipos de infertilidade: 

(1) primária, quando ainda não houve gestação anterior e 

(2) secundária, quando a mulher já teve uma gravidez anterior. 

O fato de que a mulher já seja mãe não garante que ela não tenha dificuldades de engravidar novamente.

As causas da infertilidade feminina são diversas, com problemas no organismo feminino que, frequentemente, permanecem desconhecidas. 

Uma das principais causas é a idade da mulher. 

Sabe-se que uma mulher já nasce com todos os óvulos que liberará durante a vida. 

Por isso, ao envelhecer, os gametas femininos “envelhecem” igualmente e apresentam maior probabilidade de serem incapazes de gerar uma gravidez.

Dentre os fatores mais comuns que podem gerar dificuldades de engravidar para a mulher estão os distúrbios da ovulação, ovários policísticos, problemas e obstruções nas trompas de Eustáquio (tubas uterinas), provocados por infecções ou cirurgias, endometriose, muco cervical que impede a passagem dos espermatozoides, infecção no colo do útero e idade avançada da mulher.

Os problemas no útero são os mais comuns: o muco cervical espesso dificulta ou impossibilita a passagem dos espermatozoides; a endometriose ou os leiomiomas também podem dificultar a gravidez. 

O fumo também pode interferir na infertilidade da mulher, interferindo na gametogênese, na fertilização, na implantação do óvulo ou na perda subclínica após a implantação. 

Para maior garantia da concepção a mulher deve parar de fumar no mínimo dois meses antes de iniciar as tentativas de engravidar.

Em se tratando de infertilidade, o importante é diagnosticar as suas causas e removê-las, quando possível. 

Como as causas da infertilidade são das mais diversas naturezas, os exames para diagnosticá-las são muito variados. 

A seleção deles deve partir de uma hipótese diagnóstica levantada a partir da história médica da paciente e do exame físico.

O tratamento depende do tipo e/ou causa da infertilidade e da idade da mulher e é, por isso, muito variado. 

A idade da mulher é um fator prognóstico de muita importância no sucesso de qualquer tratamento de infertilidade; quanto menor ela for, maiores são as chances de sucesso.

Há causas que podem ser removidas com o tratamento e outras que são definitivas.

Progressos nos desenvolvimentos de medicamentos, microcirurgias e técnicas de reprodução assistida têm tornado a gravidez possível para um grande número de casais com dificuldades de engravidar.

Alguns dados informativos sobre a infertilidade feminina

Cerca de 35% das infertilidades femininas são por causas hormonais, 35% obstruções tubárias de causas diversas, 20% endometriose e 10% permanecem desconhecidas.

As taxas naturais de gravidez dependem da idade da mulher. 

Em 12 meses de atividade sexual regular são de 86% entre os 20-24 anos; 75% entre 25-29 anos; 60% entre 30-34 anos; 50% entre 35-39 anos e continua diminuído drasticamente daí em diante, até cair a zero.

Os humanos são uma das espécies mais inférteis da natureza.

As chances de obter uma gravidez em um determinado ciclo ovulatório é muito pequena e cai muito rapidamente a partir dos 34 anos, segundo, mais ou menos a seguinte tabela: ela é de 25% antes dos 30 anos, de 20% entre 31 e 35 anos, 15% aos 36-37 anos, 10% aos 38-40 anos, 5% ou menor entre 41 e 44 anos e menor de 1% após os 45 anos.



domingo, 3 de dezembro de 2017

Dissecção de Aorta


A dissecção da aorta é um descolamento das camadas desse vaso que é a maior artéria do corpo, fazendo com que o sangue circule entre elas, forçando-as, enquanto o revestimento externo permanece intacto. 

Assim, se origina um novo canal dentro da parede aórtica, pelo qual o sangue também passa a circular. 

A dissecção da aorta é sempre uma emergência médica e pode por consequência levar à morte rapidamente, mesmo com um tratamento adequado, seja por um rompimento catastrófico ou por embolização da artéria. Em geral, a dissecção da aorta é um fenômeno agudo, mas também pode manifestar-se de maneira crônica.

A causa da maioria das dissecções aórticas é a deterioração da parede arterial, geralmente causada pela hipertensão arterial, contada em mais de 75% das pessoas que sofrem esse problema. 

Outras causas incluem doenças hereditárias do tecido conectivo, anomalias cardiovasculares congênitas, persistência do canal arterial, defeitos da válvula aórtica, arteriosclerose e lesões traumáticas. Em casos raros, pode acontecer uma dissecção iatrogênica acidental quando o médico introduz um cateter numa artéria para fazer uma angiografia.

A parede da aorta é composta por três camadas: uma túnica íntima, camada interna em contato direto com o fluxo sanguíneo; uma túnica média e uma túnica adventícia, a camada mais externa. 

Na dissecção da aorta, o sangue penetra entre as camadas íntima e média e a alta pressão aí existente faz com que mais sangue entre neste espaço, propagando ao longo do comprimento da aorta.

Os principais sinais e sintomas da dissecção da aorta são dor, geralmente repentina e intensa, no peito e nas costas, entre as omoplatas e irradiada ao longo do trajeto da aorta. 

À medida que a dissecção avança, ela pode obstruir os pontos de onde uma ou várias artérias partem da aorta. Em função disso, pode ocorrer um acidente vascular cerebral, um ataque cardíaco, uma dor abdominal repentina, uma lesão nervosa que cause formigamento ou a impossibilidade de mover uma extremidade.

Os sinais e sintomas de uma dissecção aórtica são tão típicos que permitem ao médico estabelecer de pronto o diagnóstico. 

Observa-se uma redução ou ausência de pulso nos braços e nas pernas, um sopro cardíaco que pode ser auscultado com o estetoscópio, alterações dos batimentos cardíacos e sinais de tamponamento cardíaco.

As imagens da radiografia do tórax mostrarão uma aorta dilatada. 

A ecografia pode confirmar o diagnóstico mesmo na ausência de uma dilatação aórtica.

A tomografia computadorizada com a injeção de uma substância de contraste é um exame rápido e confiável. 

A ressonância magnética (angiorressonância) pode completar o diagnóstico.

As pessoas com uma dissecção aórtica devem ser atendidas numa unidade de cuidados intensivos. 

A administração de fármacos deve começar o mais cedo possível porque a morte pode ocorrer dentro de poucas horas. 

O tratamento da dissecção da aorta geralmente requer cirurgia. 

O médico deve decidir rapidamente se a cirurgia está indicada ou se continuará a terapia com fármacos. 

Numa dissecção aguda, o médico deve atuar também para evitar as complicações do quadro. 

Uma terapia analgésica deve ser estabelecida imediatamente porque a condição é muito dolorosa. 

Os parâmetros circulatórios e respiratórios (pulsação, pressão arterial, batimentos cardíacos, ritmo respiratório, etc.) devem ser monitorados rigidamente.

O risco da dissecção da aorta é de que a aorta possa romper, levando a uma perda massiva de sangue. 

As dissecções da aorta que resultam na ruptura do vaso têm uma taxa de 90% de mortalidade. 

Cerca de 75% das pessoas que sobrevivem de imediato, mas que não recebem tratamento, morrem nas duas primeiras semanas e 40% das tratadas sobrevivem pelo menos 10 anos. 

Até os anos 60, o prognóstico dos pacientes com dissecção de aorta era catastrófico.

Atualmente, entretanto, o prognóstico é um pouco melhor.

As complicações da dissecção da aorta são sempre muito graves e envolvem a ruptura do vaso e embolias diversas, com suas consequências.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Antibióticos: use, mas não abuse!


Antibióticos (do grego: anti = contra + biotikos = seres vivos) são substâncias naturais, sintéticas ou semissintéticas, capazes de combater uma infecção causada por microrganismos. 

O termo antibiótico tem sido utilizado de modo mais restrito para indicar substâncias que afetam as bactérias, mas que não destroem outros organismos, como vírus, fungos, protozoários ou helmintos.

Atuam alterando mecanismos vitais desses microrganismos, matando-os ou impedindo a reprodução deles. 

Os antibióticos alterados em laboratórios visam evitar resistências bacterianas e diminuir seus efeitos colaterais. 

Ao mesmo tempo procuram atingir cada vez mais as cepas de bactérias que tenham mostrado resistência aos antibióticos anteriores.

Alexandre Fleming (na foto acima) foi o descobridor do primeiro antibiótico, a penicilina, no final da década de 20 do século XX.

Nem todos os antibióticos agem igualmente contra todas as bactérias. Idealmente, o uso deles deve ser precedido de um antibiograma que indica a sensibilidade dos microrganismos a um ou a alguns dos antibióticos pesquisados. 

Como nem sempre isso é possível, seja pela urgência da condição clínica, pela indisponibilidade do exame ou, ao contrário, porque o quadro clínico é muito simples e facilmente discernível, o médico muitas vezes tem de medicar empiricamente, baseado nas experiências anteriores registradas na literatura médica.

Um antibiótico é dito bactericida quando tem efeito letal sobre a bactéria que ataca e bacteriostático se apenas interrompe a reprodução da bactéria ou inibe seu metabolismo, mas não a destroi.

Alguns antibióticos (ciprofloxacina, ampicilina, amoxicilina ou azitromicina, por exemplo) eliminam a maior parte das bactérias e, por isso, são ditos antibióticos de largo espectro.

Eles usualmente são usados para tratar infecções urinárias, infecções no ouvido, olhos, rins, pele, ossos, órgãos genitais, cavidade abdominal, articulações, trato respiratório e digestivo, sinusite, furúnculos, úlceras infectadas, amigdalite, rinite, bronquite ou pneumonia, por exemplo.

Outros antibióticos têm uma ação menos geral e são ditos de espectro restrito ou limitado.

Existem diferenças de sensibilidade entre as bactérias Gram negativas (bactérias que não retêm a coloração pela violeta de genciana) e Gram positivas (que retêm a coloração pela violeta de genciana). 

Alguns antibióticos são direcionados a agentes infecciosos específicos.

Com uma tal variedade de possibilidades, deve caber sempre ao médico definir qual antibiótico deve ser usado, qual o modo de uso (oral, intramuscular, intravenoso, tópico, etc.), qual a dose e por quanto tempo. Ao paciente cabe seguir estritamente o que lhe for recomendado.

Os antibióticos apenas devem ser tomados sob indicação médica, pois eles tanto podem eliminar as bactérias patogênicas como as bactérias benéficas e necessárias ao organismo, como as que vivem nos intestinos, alterando a flora intestinal normal e provocando alterações no funcionamento do intestino, como a diarreia, por exemplo. 

Na pele ou mucosas podem causar o surgimento de problemas como candidíase ou outras infecções fúngicas. 

Também podem tornar as bactérias mais resistentes e a doença de mais difícil tratamento.

Alguns antibióticos podem interferir com a eficácia do anticoncepcional oral, sendo recomendável que a pessoa utilize outros métodos contraceptivos durante e algum tempo após o tratamento. 

O médico deve informar à paciente se um determinado antibiótico que ela deva usar interfere ou não com o efeito da pílula anticoncepcional.

O antibiótico deve sempre ser tomado durante o tempo que o médico indicar, mesmo quando existem sinais de melhoras passados apenas uns poucos dias de tratamento. 

Quase sempre eles são condicionados em embalagens que contêm a quantidade que deve ser consumida. Em geral, eles devem ser consumidos por 7 a 10 dias, mesmo que apareçam sinais de melhora já com 3 ou 5 dias. 

Se interrompidos antes do tempo devido, a infecção pode retornar, promovida agora por bactérias mais resistentes, aquelas que escaparam à ação inicial do antibiótico.

Os horários das tomadas também devem ser sempre respeitados, para garantir que haja uma taxa mais ou menos constante da substância no sangue e para que o tratamento tenha o efeito desejado.

Os principais efeitos colaterais dos antibióticos são complicações gastrointestinais, incluindo diarreia, alergias, micoses vaginais e outras, provocadas pela Candida albicans e erupções cutâneas ao sol (somente alguns antibióticos).

A penicilina causa alergia em cerca de 5% dos indivíduos, constituindo uma contraindicação do seu uso nestas pessoas.

Um cuidado especial deve ser observado com as interações medicamentosas. 

Usados em conjunto com a pílula anticoncepcional os antibióticos podem diminuir a eficácia delas. 

Alguns antibióticos são incompatíveis com leite, pois este pode diminuir a boa absorção da medicação. 

O álcool com frequência pode diminuir a eficácia do antibiótico. Alguns antibióticos não devem ser tomados durante a gravidez.

Um médico deve sempre ser consultado antes de usar um antibiótico.