Dietas mais ricas em glúten foram associadas a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2


Os participantes do estudo que comeram menos glúten tenderam a comer menos fibras de cereais, um fator protetor conhecido para evitar o desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Glúten é uma proteína encontrada no trigo, centeio e cevada. Uma pequena porcentagem da população é intolerante ao glúten, devido à doença celíaca ou à sensibilidade não celíaca ao glúten.

As dietas isentas de glúten tornaram-se populares mesmo para pessoas sem essas condições, embora faltem evidências de que a redução do consumo de glúten proporcione benefícios de saúde no longo prazo.

Geng Zong, pesquisador do Departamento de Nutrição da Universidade de Harvard, da University’s T.H. Chan School of Public Health, em Boston, foi o principal autor do estudo.

Segundo ele, sua equipe queria determinar se o consumo de glúten afeta a saúde em pessoas sem razões médicas aparentes para evitar esta proteína. Os resultados do estudo mostram que os alimentos sem glúten muitas vezes têm menos fibras dietéticas e outros micronutrientes (vitaminas e minerais), são menos nutritivos e mais caros.

Ainda segundo o pesquisador, pessoas sem doença celíaca podem reconsiderar a limitação da ingestão de glúten para a prevenção de doenças crônicas, especialmente para o diabetes.

Neste estudo observacional de longo prazo, os pesquisadores descobriram que a maioria dos participantes tinha ingestão de glúten abaixo de 12 gramas/dia, e dentro dessa faixa, aqueles que comeram mais glúten tiveram menor risco de diabetes tipo 2, durante trinta anos de seguimento.

Os participantes do estudo que comeram menos glúten também tenderam a comer menos fibras de cereais, um fator protetor conhecido para o desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Depois de ter considerado o efeito potencial da fibra de cereais, os indivíduos com os 20% mais altos de consumo de glúten tiveram um risco 13% menor de desenvolver diabetes tipo 2, em comparação com aqueles com menor consumo diário de glúten (aproximadamente menos de 4 gramas).

Os pesquisadores estimaram a ingestão diária de glúten em 199.794 participantes em três estudos de saúde de longo prazo - 69.276 do Nurses 'Health Study (NHS), 88.610 do Nurses' Health Study II (NHSII) e 41.908 do Health Professionals Follow-up Study (HPFS) - a partir de questionários de frequência alimentar preenchidos pelos participantes a cada dois a quatro anos.

A ingestão diária média de glúten em gramas foi de 5,8 g/dia para NHS; 6,8 g/dia para NHSII e 7,1 g/dia para HPFS e as principais fontes dietéticas foram massas, cereais, pizzas, muffins, pretzels e pães.

Ao longo do estudo, que incluiu 4,24 milhões de pessoas-ano de seguimento de 1984-1990 a 2010-2013, 15.947 casos de diabetes tipo 2 foram confirmados.

É importante lembrar que se trata de um estudo observacional, em que o consumo de glúten foi relatado pelos participantes, sendo necessária a confirmação dos resultados encontrados através de outras investigações. Além disso, a maioria dos integrantes participou do estudo antes que as dietas sem glúten tenham se tornado populares, por isso não há dados de abstêmios de glúten nesta pesquisa.



Fonte: American Heart Association Meeting Report Presentation 11, em 9 de março de 2017


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