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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Retinopatia Diabética


A retinopatia diabética é uma complicação microvascular que pode ocorrer no diabetes mellitus, afetando a retina, e que pode levar à perda total da visão, sendo a principal causa de cegueira entre adultos acima de 20 anos.

A retinopatia diabética ocasiona rompimento dos vasos sanguíneos da retina, causando hemorragia e infiltração de gordura em seu interior.

O diabetes tipo 1 causa complicações oculares mais frequentes e mais graves, mas o diabetes tipo 2, muito mais incidente, é responsável por um número maior de casos de pacientes com baixa visão em razão da retinopatia diabética.

O tempo de duração do diabetes mellitus é o fator de risco mais importante para a retinopatia diabética. Após 20 anos de evolução do diabetes, esta complicação está presente em praticamente todos os pacientes com diabetes tipo 1 e em 50 a 80% dos pacientes com diabetes tipo 2.

Um segundo fator de risco é o grau de hiperglicemia. Níveis normais ou perto no normal de açúcar no sangue previnem ou retardam o início da retinopatia diabética.

Outros fatores de risco são a hipertensão arterial e a nefropatia. Também a gestação, bem como a puberdade e a realização de cirurgia de catarata são condições que podem promover avanço das lesões da retinopatia diabética.

O uso de aspirina, por seu turno, não aumenta o risco de hemorragias.

O efeito do fumo é controverso, mas deve-se evitar a obesidade, o consumo de álcool, a dislipidemia e o sedentarismo.

Nos pacientes com diabetes tipo 1, a retinopatia geralmente se instala após três a cinco anos de evolução da doença e raramente surge antes da puberdade. Em contrapartida, em pacientes com diabetes tipo 2, a retinopatia pode já estar presente em algum grau no momento em que for diagnosticado o diabetes.

Um exame oftalmológico completo deve ser realizado no máximo cinco anos após o diagnóstico do diabetes e depois uma reavaliação deve ser feita a cada ano.

Os pacientes com diabetes tipo 2 devem fazer uma avaliação oftalmológica no momento do diagnóstico.

Mulheres diabéticas que desejem engravidar devem realizar, antes, uma avaliação oftalmológica completa e serem orientadas sobre o risco de desenvolvimento da retinopatia.

As grávidas devem ser devidamente acompanhadas e monitoradas até um ano após o parto. Os exames do fundo de olho e da retina são essenciais para o diagnóstico da retinopatia diabética. Normalmente, usa-se fazer:

•Exame direto de fundo de olho: as pupilas devem ser dilatadas com um colírio para que o oftalmologista possa examinar visualmente o fundo do olho, com lentes de aumento acopladas a um aparelho chamado oftalmoscópio.

•Tanometria: uso de um aparelho para medir a pressão intraocular.

•Angiografia fluoresceínica: um corante especial é injetado no braço e minutos depois são tiradas fotografias da passagem dele pelos vasos da retina, permitindo ao oftalmologista fazer uma análise desses vasos.

O controle clínico do diabetes diminui muito o aparecimento da retinopatia diabética, mas todo paciente diabético deve ser acompanhado periodicamente pelo oftalmologista.

A retinopatia diabética em qualquer grau está associada ao aumento de risco de mortalidade cardiovascular.

A presença da retinopatia diabética está fortemente associada à nefropatia diabética, sendo, portanto, recomendável a avaliação da presença de doença renal diabética em indivíduos com retinopatia.

Se iniciado precocemente, o tratamento da retinopatia diabética apresenta bons resultados. Através da fotocoagulação a laser, as áreas comprometidas da retina podem ser cauterizadas, beneficiando a maioria dos pacientes.

A vitrectomia é uma microcirurgia que visa remover os vasos anormais e corrigir o descolamento de retina. Atualmente, novas drogas, em cápsulas ou injetáveis dentro do globo ocular, estão sendo usadas com essas mesmas finalidades.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Síndrome X Doença


Os termos síndrome (síndroma ou síndromo) e doença podem ser confusos para o leigo, no entanto, significam coisas muito diferentes. Síndrome (do grego: syndromé = reunião) em medicina descreve um estado mórbido caracterizado por um conjunto determinado de sinais e sintomas clínicos que podem ter causas diversas mas, em geral, não conhecida e não é, pois, uma doença.

Sinal é qualquer manifestação visível ou mensurável de uma alteração orgânica (uma mancha, edema, febre ou um colesterol elevado, por exemplo) que pode ser percebido por outra pessoa sem o relato ou comunicação do paciente. Já o sintoma é uma alteração da percepção de uma sensação, que pode ou não constituir-se no início de uma doença (por exemplo: sede, fome, dor, perda de apetite, fraqueza, tontura, vertigem, delírio, esquecimento, desânimo, alucinação) que somente o paciente consegue perceber.

Doença (do latim: dolentia = padecimento), por sua vez, significa um distúrbio das funções de um determinado órgão, da psique ou do organismo como um todo, que está relacionado a causas e sintomas específicos. As doenças se diferenciam das síndromes em que têm

(1) etiologia conhecida;
(2) uma fisiopatologia específica;
(3) um conjunto característico de sinais e sintomas;
(4) alterações anatômicas e/ou funcionais consistentes e
(5) tratamento específico.

Em geral, a razão de ser de uma síndrome não é conhecida. Por outro lado, a síndrome define as manifestações clínicas semelhantes de uma ou várias doenças, independentemente das suas causas. Também se chama de síndrome certas situações em que a doença ainda não está bem esclarecida com todos os seus sintomas e sinais. Exemplo: uma síndrome febril, em que há aumento da temperatura corporal, aumento dos batimentos cardíacos, taquipneia (ritmo respiratório acelerado), sudorese, secura na boca, etc. de causa não determinada.

Em contraste, a causa por trás de uma doença pode ser elucidada facilmente. Muitas vezes, certas doenças podem desencadear uma síndrome, o que complica ainda mais o assunto, embora uma síndrome não indique obrigatoriamente a presença de uma doença conhecida. Uma síndrome costuma ser chamada pelo nome do cientista que primeiro a descreveu (como síndrome de Down, por exemplo).

Outras vezes recebe o nome em referência à geografia ou história: síndrome de Estocolmo, por exemplo, em referência a um assalto que ocorreu em Estocolmo em agosto de 1973. Ou são mantidas com suas denominações originais por razões históricas, como acontece com a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) que ainda é assim chamada porque o conjunto de sinais e sintomas foi descrito antes de se conhecer a natureza completa da enfermidade. Outro exemplo é a fibromialgia que era anteriormente chamada síndrome da polimialgia idiopática difusa, já que o conjunto de sinais e sintomas foi descrito antes de se conhecer a etiologia (causa) e a fisiopatologia da condição.

sábado, 20 de agosto de 2016

Doença de Lyme


A doença de Lyme é uma doença infecciosa transmitida por carrapatos. Ela recebeu esse nome por conta dos diversos casos que ocorreram em 1997, na cidade de Lyme, em Connecticut (EUA).

A doença de Lyme é causada pela bactéria "Borrelia burgdorferi", cuja transmissão se dá por meio de carrapatos. São eles que carregam essas bactérias e que podem transmiti-las para os seres humanos por meio de picadas. A doença de Lyme é mais comum nos Estados Unidos e em algumas regiões central e leste da Europa, bem como o sudeste da Escandinávia e ao norte do Mediterrâneo, em países como Itália, Espanha e Grécia.

A doença de Lyme é transmitida por carrapatos marrons que aderem à pele, por 36 a 48 horas no mínimo, de onde sugam o sangue do hospedeiro. Os locais preferidos do corpo pelos carrapatos são axilas, couro cabeludo e virilha. Quanto menor o carrapato, maiores são as chances de eles transmitirem a doença de Lyme, pois são mais difíceis de serem detectados. Quando são transmitidas, as bactérias entram na pele através da picada e invadem a corrente sanguínea, espalhando-se pelo corpo.

Normalmente, a doença de Lyme causa uma vasta gama de sintomas, na dependência da fase de infecção, os quais incluem febre, erupção cutânea, paralisia facial e artrite. Esses sintomas costumam variar muito de pessoa para pessoa e são muito comuns em outras condições de saúde e por isso o diagnóstico pode ser difícil de ser feito.

De 3 a 30 dias após a picada do carrapato aparece febre, calafrios, dor de cabeça, fadiga, dores musculares e articulares, inchaço dos gânglios linfáticos, eritema migrans, que se expande gradualmente até 30 centímetros de diâmetro ou mais. O paciente pode sentir a região afetada quente ao toque, mas raramente sente coceira ou dolorimento. Essa erupção pode aparecer em qualquer área do corpo.

Dias ou meses após a picada do carrapato podem surgir novos sintomas, como fortes dores de cabeça e rigidez do pescoço; erupções adicionais em novas áreas do corpo; artrite com dor intensa e inchaço nas articulações, especialmente em grandes articulações como o joelho, por exemplo; paralisia facial; dor intermitente em tendões, músculos, articulações e ossos; palpitações; tontura ou falta de ar; inflamação do cérebro e da medula espinhal; dores, dormência ou formigamento nas mãos ou pés e problemas de memória.

A doença de Lyme é diagnosticada com base nos sinais e sintomas que produz e na história de possível exposição a carrapatos infectados. Contudo, os sinais e sintomas costumam variar muito de pessoa para pessoa e são muito comuns a outras condições de saúde, por isso o diagnóstico pode ser difícil. Além disso, há outras doenças que também podem ser transmitidas por carrapatos. Exames de sangue feitos em laboratórios com métodos adequados podem ajudar a confirmar o diagnóstico. Esses testes visam identificar anticorpos para as bactérias causadoras da doença e são mais confiáveis algumas semanas após a infecção, quando os anticorpos já estão mais formados.

A doença de Lyme normalmente é tratada com antibióticos. Os antibióticos mais comumente utilizados são a doxiciclina, a amoxicilina e a cefuroxima oral. Os pacientes com formas neurológicas ou cardíacas da doença podem requerer tratamento intravenoso. Os sintomas podem durar cerca de seis meses ou mais, mas a maioria dos pacientes se recupera dentro de algumas semanas, quando corretamente tratados.

Os doentes tratados com antibióticos apropriados nas fases iniciais da doença de Lyme, normalmente se recuperam rapidamente e completamente.

A melhor maneira de prevenir-se contra a doença de Lyme é reduzir ou evitar a exposição a carrapatos. Os carrapatos já aderidos à pele devem ser removidos rapidamente, mas de forma correta, para não injetarem uma quantidade ainda maior de bactérias. A vacina contra a doença de Lyme deixou de ser produzida em 2002 porque o fabricante alegou demanda insuficiente.

Se diagnosticada nos estágios iniciais, a doença de Lyme não costuma levar a complicações e pode ser perfeitamente resolvida com antibióticos. Sem tratamento, no entanto, podem ocorrer complicações graves, tais como inflamação crônica das articulações, sintomas neurológicos, defeitos cognitivos, irregularidades do ritmo cardíaco, distúrbios do sono e da visão.