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quarta-feira, 22 de março de 2017

Hérnia de disco (extrusa)


A coluna vertebral é formada por um empilhamento de vértebras, entre as quais existem discos constituídos por um anel fibroso externo e um núcleo gelatinoso interno - discos intervertebrais - os quais desempenham as funções essenciais de evitar o atrito entre uma vértebra e outra e de garantir a mobilidade que permite ao indivíduo correr, girar o tronco e a cabeça, saltar, locomover-se, etc.

Em razão de vários fatores (traumas, infecções, desgastes, tabagismo, obesidade, má postura, envelhecimento, entre outros) esses discos podem formar protrusões (saliências) que comprimem as estruturas nervosas adjacentes, chamadas hérnias de discos. Fala-se em hérnia de disco extrusa quando o anel fibroso se rompe e libera o núcleo gelatinoso, o qual passa a exercer compressões na coluna.

A hérnia de disco extrusa é uma das consequências da ausência de tratamento adequado da hérnia de disco simples, em que o ligamento longitudinal posterior se rompe, ocorrendo a migração de parte do núcleo pulposo para o interior do canal vertebral, fazendo com que ele fique em contato direto com a medula.

No caso da hérnia de disco extrusa o ligamento longitudinal posterior não consegue conter a pressão exercida pelo disco herniado e se rompe, ocorrendo a migração de parte do núcleo pulposo para o interior do canal vertebral, fazendo com que essa porção da hérnia de disco fique em contato direto com a medula, ocasionando compressão e consequente redução do espaço destinado a ela.

Em vista dos fatores citados (e de outros mais), a estrutura do disco pode sofrer um desgaste maior no anel fibroso que então evoluirá para as fases de abaulamento, protrusão e rupturas das suas fibras. No caso, o rompimento total do anel fibroso causa maior instabilidade funcional e pode acarretar sério estreitamento do canal medular.

Em geral, os sintomas da hérnia de disco extrusa são mais severos que os da hérnia de disco simples. Normalmente, as dores tendem a afetar a região comprometida da coluna ou o membro (braço ou perna) relacionado aos nervos afetados. Formigamentos intensos e redução do tônus muscular também podem estar associados a essas partes corporais.

O diagnóstico pode ser feito a partir das características dos sintomas e do resultado do exame neurológico. Exames de imagens como radiografias, tomografia computadorizada e ressonância magnética ajudam a determinar o tamanho da lesão e sua localização.

De preferência, o tratamento da hérnia de disco extrusa deve ser conservador. O primeiro passo deve ser cuidar de adotar uma postura correta no dia a dia, no que a Reeducação Postural Global contribui em muito. Ela trabalha sem o uso de medicamentos e não somente ajuda a tratar as dores, mas também a preveni-las.

Sessões de fisioterapia podem melhorar a dor e o condicionamento muscular. Os medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos apenas atuam sintomaticamente e fornecem alívio da dor apenas por curto prazo.

A cirurgia só deve ser feita em cerca de 5% dos casos, quando o tratamento não obtiver resultado, a dor for insuportável, houver comprometimento dos membros ou compressão da cauda equina (feixe de nervos que continuam a parte terminal da medula).

A evolução da hérnia de disco extrusa pode ser dividida em quatro fases:

1.Ela se inicia por um simples abaulamento discal e começa a apresentar fissuras em suas fibras, dando ao disco intervertebral uma forma arqueada.

2.Em seguida ocorre uma protrusão discal, com abaulamento que pode atingir os nervos, o canal medular ou a própria medula. Tem início, então, a degeneração discal.

3.Numa terceira fase, ocorre a extrusão do disco intervertebral. O núcleo pulposo migra de sua posição normal no centro do disco para a periferia, levando à compressão das raízes nervosas e caracterizando a hérnia de disco.

4.Por último, a parte que se encontrava extrusa pode se separar do disco, comprometendo ainda mais as estruturas nervosas. Essa etapa é mais rara, os sintomas são bem mais severos e dependendo da posição do fragmento liberado pode gerar efeitos graves, sendo necessário retirá-lo cirurgicamente.

As medidas para prevenir a hérnia de disco extrusa são as mesmas que para prevenir a hérnia de disco simples: evitar o fumo, praticar atividades físicas e alongamentos regulares, fortalecendo a musculatura de sustentação da coluna, adotar uma dieta saudável, não carregar pesos excessivos e manter uma postura adequada em todas as situações.

terça-feira, 21 de março de 2017

Plagiocefalia


A plagiocefalia é uma deformidade da cabeça da criança, em geral transitória, que faz com que ela assuma uma aparência achatada.

A plagiocefalia se desenvolve por um posicionamento vicioso da cabeça, mantido ou por um torcicolo congênito ou quando o crânio macio do bebê fica submetido a uma pressão constante ou repetida. Muitos bebês desenvolvem plagiocefalia quando ficam muito tempo dormindo ou sentado na mesma posição. Esta condição ocorre mais frequentemente em bebês prematuros cujos crânios são especialmente flexíveis.

A plagiocefalia também pode se desenvolver por uma posição viciosa no útero, pela posição “assentada” do feto/bebê, por nascimentos múltiplos, por nascimento prematuro, por torcicolo congênito e por dormir numa mesma posição.

A plagiocefalia congênita é uma malformação cerebral resultante de um ambiente intrauterino restritivo ou de um torcicolo congênito (um espasmo ou rigidez dos músculos do pescoço, ainda no útero) devido à manutenção prolongada de uma mesma posição (plagiocefalia posicional).

É comum encontrar a plagiocefalia já ao nascer. Normalmente, ela não tem quaisquer efeitos nocivos duradouros sobre o desenvolvimento neurológico do bebê. É provável que, deixada sem tratamento, a cabeça permanecerá deformada na idade adulta. Alguns problemas que podem surgir são assimetria facial notável, áreas planas visíveis com cabelos cortados curtos, desalinhamento da mandíbula, etc.

Na plagiocefalia posicional, a cabeça vista de cima assume a forma de um paralelogramo que gera na zona posterior do crânio um aplanamento lateral. Produz orelhas desalinhadas, assimetria facial e abaulamento da frente. Muitos bebês que nascem por parto vaginal têm, de início, uma cabeça de forma estranha causada pela pressão ao passar pelo canal do parto. Normalmente, isso se corrige espontaneamente em cerca de seis semanas. Se persistir além disso, provavelmente se trata de um caso de plagiocefalia.

A plagiocefalia é uma desordem tratável. O tratamento inclui exercícios especiais, variação da posição da cabeça durante o sono ou uso de órteses corretivas ou de moldagem. Os bebês com plagiocefalia normalmente respondem muito bem aos tratamentos não-invasivos, tais como as técnicas de reposicionamento, que os pais podem praticar em casa. Os pais devem alternar a direção da cabeça do bebê ao colocá-lo para dormir e evitar deixar o bebê por longos períodos em assentos, balanços, porta-bebês ou em outro lugar onde a cabeça fique imóvel por muito tempo.

Durante a alimentação, os pais devem oferecer os talheres em lados variados a cada dia para que o bebê seja alimentado e alterne a posição de rotação da cabeça para receber os alimentos. O médico também pode recomendar exercícios de fisioterapia diários para ajudar a aumentar a amplitude de movimentos do pescoço do bebê.

Os bebês com plagiocefalia severa geralmente usam um capacete personalizado ou uma cinta para a cabeça, cerca de 23 horas por dia durante dois a seis meses.

As técnicas de reposicionamento e o uso de um capacete craniano personalizado redirecionam o crescimento natural da cabeça do bebê para uma posição e forma normais.

Práticas simples em casa, incluindo técnicas de reposicionamento, podem prevenir a plagiocefalia. Os pais devem evitar que os bebês se mantenham sempre numa mesma posição. Deitar de barriga para baixo durante a vigília é essencial para o desenvolvimento de habilidades motoras e fortalece os músculos do pescoço, além de prevenir a plagiocefalia.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Como é feita a audiometria


A audiometria é um exame que avalia a capacidade do paciente para ouvir sons. Geralmente esse exame é pedido quando, numa consulta médica, o paciente ou seus familiares alegam que ele está “ouvindo pouco”, mas pode servir também para complementar outros diagnósticos (traumas, infecções, condições hereditárias, etc.).

O grau da perda auditiva pode ser verificado em cada ouvido isoladamente e pode se dever a perdas provenientes do ouvido externo, ouvido médio ou ouvido interno, bem como do nervo e das vias auditivas sensoriais ou serem perdas mistas.

Há, basicamente, dois tipos de audiometria:

•Audiometria tonal: avalia as respostas do paciente a tons puros, emitidos em diversas frequências, detectando assim o grau e o tipo de perda auditiva. É considerado um teste subjetivo porque depende da resposta do examinando aos estímulos auditivos fornecidos pelo examinador. Pode ser feito por via aérea comum ou por via óssea.

•Audiometria vocal: avalia a capacidade de compreensão da voz humana. O examinando demostrará sua percepção e compreensão da voz humana emitida pelo examinador.

O exame não requer preparo prévio nem suspensão da medicação em uso. Ele é simples, inócuo e indolor e geralmente é feito por um fonoaudiólogo ou por um otorrinolaringologista, que são profissionais mais habilitados a realizá-lo e avaliar seu resultado.

O examinando é colocado numa cabine acústica que visa isolá-lo dos sons ambientais, a qual tem uma parede de vidro através da qual o examinador pode vê-lo. Quase todo o exame transcorre em silêncio, salvo as comunicações entre o paciente e o examinador, para o quê o examinando deverá colocar um fone de ouvido, acoplado a um pequeno microfone, através do qual ouvirá certos sons emitidos pelo examinador e deverá responder a eles mediante sinais gestuais previamente combinados (levantar uma das mãos, por exemplo). Em uma parte do exame o examinando deverá repetir palavras emitidas pelo examinador. Nos exames de audiometria tonal, por via óssea, um vibrador é colocado sobre osso mastoide do examinando, o qual deverá acusar as percepções das vibrações do mesmo.

A escala de medida da audição é feita em decibéis e o teste normalmente varia entre zero e 120 decibéis, sendo que a audição normal escuta até um mínimo de 25 decibéis (às vezes menos). Se o ouvido começa a ouvir apenas aos 50 decibéis, diz-se haver uma perda auditiva leve; se entre 55 e 70 decibéis, diz-se perda moderada; entre 75 e 90 decibéis, perda severa; acima de 90 decibéis, perda profunda.

Certas técnicas e condições práticas especiais, bem como uma tabela própria de valores, têm de ser estabelecidas para o exame de crianças.

O resultado da audiometria geralmente é expresso num audiograma, um gráfico que informa sobre as respostas do examinando aos diversos sons emitidos. Em muitos casos de perda auditiva o exame ajuda a determinar a conveniência de usar ou não um aparelho auditivo e o tipo mais adequado dele. Em outros casos, ajuda a estabelecer o diagnóstico e o prognóstico, já que são inúmeras as causas possíveis, bem como pode sugerir medidas preventivas que evitem o agravamento das situações anômalas. Uma das grandes utilidades da audiometria é detectar deficiências auditivas em crianças pré-escolares ou escolares, muitas vezes inapercebidas, mas que são uma das causas de baixo rendimento escolar.